De onde surgiu essa cobertura de marinheiro e como foi parar no Corpo de Fuzileiros Navais no Brasil?
GORRO GLENGARRY: Chamado de GORRO ESCOCÊS ou GORRO DE FITA
em inglês: Glengarry bonnet
A ORIGEM
O tradicional gorro apareceu pela primeira vez na vestimenta do Corpo de Infantaria conhecido como Glengarry Fencibles (Fensários Glengário) na Escócia quando foram formados as tropas em 1794 pelo coronel Alexander Ranaldson MacDonell de Glengarry (região), por vezes, citado como inventor por ter dobrado de forma plana a cobertura sem pretensão e acabou tornando-se o gorro militar padrão entre os militares na Escócia porque era fácil guardar e armava de forma rápida para por na cabeça diferente do gorro anteriormente usado nesta época.
Em escocês "glen" significa tipicamente um vale longo delimitado por lados côncavos suavemente inclinados; ao contrário de uma barranco, que é mais profundo e com encostas íngremes. O historiador Mark Whittow define o termo escocês para um "Vale profundo em terras altas" sendo que ele é "mais estreito sendo um esforço de vale". Em português emprestamos a palavra do alemão Talweg, que em português sua grafia ficou - talvegue-que indica nada mais é que é um caminho do vale. O nome garry é uma variante de gary do inglês antigo que significa: 'portador de lança.'
Então o nome do gorro Glengarry seria algo como "Vale lanceado" ou "Portador do Vale" ou mais a forma mais portuguesada como Glengário (neologismo).
A título de curiosidade, o termo usado pelo exército escocês na época como "Fencibles'' vem do inglês primitivo defencibles (defensários) quando foram criados regimentos britânicos para a defesa e ameaças durante a invasão da Guerra dos Sete Anos entre França e Inglaterra. A palavra Glen é de origem goidélica que é um termo gaélico irlandês gleann e do escocês, glion em Manx. O nome glen ocorre frequentemente em nome de lugares no Reino Unido. O primeiro uso clássico do gorro pode não ter ocorrido em 1841 quando foi introduzido pelos gaiteiros de fole do 79º Regimento a pé (79th Foot) pelo comandante, tenente coronel Lauderdale Maule.
![]() Vale Estreito ou Glen |
Foi somente na década de 1850 que o gorro glengarry tornou-se uma elemento característico da vestimenta regimentos escoceses do Exército Britânico. Em 1860 o glengarry sem borda cortada foi introduzido e geralmente com plumas haviam sido apenas usados pelos gaiteiros de fole (banda marcial com o tradicional instrumento de sopro - bagpipe -) em todos os regimentos militares, exceto pelo regimento 42º Relógios-Preto (42th Black Watch), cujos gaiteiros usavam o gorro de plumas completo incluindo o kilt (saia escocesa). Em 1914 todos os regimentos de infantaria escocesa estavam usando os glengarries azul-escuro em ordens de vestimentas que não eram cerimoniais, exceto os Cameronians - Fuzileiros ou Rifleiros Escoceses- que usavam as estampa do gorros em verde-rifle (musgo ou oliva) o restante da guarda escocesa usavam a estampa na cor caqui.
Os gorros glengarries acabaram ganhando faixas em xadrez tornaram vermelhos, brancos e azuis para diferenciar os Regimentos Reais e as cores: vermelhos, brancos e verdes para outros dentro do Exército Britânico. Dependendo do regimento como os Black Watch e Sutherland Highlanders e os próprios Cameronians Hightlanders da rainha foram os que começaram a usar um simples padrão em xadrez.
Até 1868 o gorro glengarry foi utilizado como cobertura até que a maioria dos soldados britânicos acabaram substituindo pela 'tampa de serviço de campo de curta duração' (outro chapéu usado na vestimenta militar) até que com o passar do tempo foi sumindo da indumentária militar escocesa. Os soldados britânicos acabaram revivendo o gorro em 1937 em plena Segunda Guerra Mundial no Regulamento de Uniformes para o Exército e descreveram como um cobertura de serviço de campo padrão universal para ser utilizado pelo exército britânico como forma semelhante ao Glengarry.
Já a cobertura utilizada pelo Corpo de Cavalaria do exército irlândes é chamado de Glengarry, mas é mais parecido com a chapéu velho irlandês (caubeen) em aparência. A diferença é que o Glengarry possuí duas fitas na parte traseira na cor preta e seu formato é um pouco diferenciado. O gorro glengarry então passou a ser usado por membros masculinos civis e militares como uma cobertura apropriada para qualquer homem com vestimenta causal ou diurna do Alto Conselho (Highland).
O gorro glengarry é portanto, uma cobertura de origem escocesa, tradicionalmente feita de lã de grande espessura, decorada com uma borda de topo formando um friso, frequentemente com um cocar ou insígnia em forma de roseta do lado esquerdo ou acrescentado plumas e com fitas penduradas atrás. É parte integrante do uniforme militar e civil do Ato Escalão Escocês, sendo utilizado como uniforme formal e informal como alternativa ao gorro bamoral ou ao gorro Tam O'Shanter dentro das Forças Armadas Britânicas . O Regimento Real da Escócia usa o glengarry com faixas de xadrez e penas de galo negro quando é tocado em cerimoniais. Aqui alguns exemplos do tradicional gorro glengarry:
O GORRO ESCOCÊS NO BRASIL
Já no Brasil por ser um país tropical o gorro não é feito com o mesmo tecido com maior gramatura, embora poderia ser conformado em outro material mais grosso tornando mais característico com a forma do gorro original escocês. Este tipo de cobertura poderia ter sido introduzido pelo Almirante inglês Lord Thomas Cochrane conde de Dunald e Marquês do Maranhão quando desempenhou sua participação na Marinha do Brasil a pedido de Dom Pedro I sendo o primeiro comandante da Armada Imperial Brasileira em 1823 na Guerra da Independência do Brasil e na Confederação do Equador.
Porém, segundo relatos da própria Marinha do Brasil o gorro escocês foi introduzido pelo comandante do Batalhão Naval da Marinha Brasileira de origem escocesa e comandante do Batalhão Naval, o Capitão de Fragata Arthur de Azevedo Thompson (Nictheroy, 1853-1892, Rio de Janeiro) que introduziu o tradicional gorro escocês Glengarry para ser utilizado pelos Fuzileiros Navais, criado pelo Decreto n.º 193-B de 30 de Janeiro de 1890.
UM POUCO DA HISTÓRIA DE BRITÂNICOS NA FORÇA NAVAL BRASILEIRA
A história a adoção do gorro escocês no Brasil foi uma iniciativa introduzida pelo Almirante Sir Percy Moreton Scott da Royal Navy que deu de presente o gorro glengarry ao Comandante do Batalhão Naval o Capitão de Fragata Arthur de Azevedo Thompson, como símbolo de relações diplomaticas entre a Armada Imperial Brasileira e a Real Marinha do Reino Unido sendo incorporado aos infantes marinos brasileiros simultaneamente.
Desde a escolta da família real Portuguesa ao Brasil à Abertura dos Portos as Nações Amigas (1808) os britânicos estiveram presentes tendo acesso aos recursos e mercadorias brasileiras. A força real britânica participou desde o início da criação das forças navais do Brasil que era considerada a melhor colônia portuguesa; e a superioridade naval que a Royal Navy tinha como maior potência na naval do mundo, era uma referência de segurança, estabilidade e prestígo para a corte portuguesa que ao longo do tempo implementou na armada brasileira não só doutrinas da Royal Navy como também os equipamentos e teconologias avançadas para época (como o encouraçados "Riachuello" e "Aquidabã") além da dependência de estaleiros e da indústria naval britânica como peças e equipamentos a carvão a Armada Nacional; embora investidas britânicas provocaram algumas rusgas entre os países como a ocupação da Ilha da Trindade em 1781, mais tarde no Paraná, a tentativa de colonização britânica se integrando a Colônia de Assunguy (atual município de Cerro Azul) na década de 1860 e posteriormente nova investida de tomar a Ilha da Trindade em 1895 dando como pretexto a necessidade de instalar cabos telegráficos submarinos.
Após Portugal passar pela Revolução Liberal do Porto em 1820 que durou até Fevereiro de 1822, onde culminou nas primeiras escaramuças (combates militares ligeiros de curta duração) até então ser travada a Guerra da Independência do Brasil (1821-1824) e a separação definitiva do Império Brasileiro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Com a recém-independência a armada brasileira sofreu diversos reveses iniciais devido a sabotagens perpetradas por oficiais portugueses que integravam o corpo naval. O Imperado D. Pedro I foi obrigado a fazer uma reforma na Marinha em 1823, substituindo oficiais portugueses ligados a Lisboa, por oficiais natos brasileiros, além de ter que recorrer a escravos libertos e prisioneiros anistiados com conhecimento em batalhas navais e buscar mercenários exclusivamente britânicos e americanos mais experientes. A partir daí começou a saga na Armada Imperial Brasileira uma grande leva de oficiais de alta patente de origem britânica. O Imperador do Brasil D. Pedro I (e também D. Pedro IV de Portugal) foi pessoalmente aliciar o oficialato inglês até encontrar alguém disposto a ajudar Guerra da Independência o mercenário britânico, Almirante Thomas Cochrane. A partir desse momento ele tornou-se o principal ícone e símbolo da doutrina da Marinha Imperial Brasileira.
Meses correspondentes: JA · FV · MC · AB · MA · JN · JL · AG · ST · OU · NV · DZ
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ESCOCESES NA ARMADA DO BRASIL
O ANTI-HERÓI
Primeiro-Almirante Thomas Cochrane (Escócia: Annsfield, Distrito rural da cidade da Hamilton ☆ 14.DC.1775 - 1860.OC.31 † Londres: Reino Unido) foi um oficial naval da Royal Navy e político britânico que desempenhou relevante papel histórico militar do Reino Unido, Chile, Peru, Brasil e Grécia. Filho de um aristocrata escocês falido, herdou dívidas da família assim que se tornou conde em 1778, sendo incapaz de estudar em qualquer escola a avó materna contratou tutores para aprender conhecimentos básicos, mais tarde ingressou ainda muito jovem na Marinha Real Britânica em 1788 e seu tio o Sir Almirante Alexander Cochrane o matriculou em 1790 na tripulação do navio que tinha comandado para que o sobrinho em seis anos obtivesse o certificado de oficial naval da Royal Navy no qual acabou destacando-se como um exímio navegador e estrategista sendo oficiado já em 1793 no ano de 1795 foi promovido a Tenente e participou como comandante nas Guerras Napoleônicas (1803-1815) onde ganhou o apelido pelos franceses de "Loup de mer" e pelos espanhóis de "El Diablo"; também virou membro parlamentar da Câmara dos Comuns se destacando no combate a corrupção e nas reformas parlamentares e no almirantado britânico, mas acabou sendo expulso do parlamento e foi degradado da Royal Navy em 1814 por acusações de fraudes na Bolsa de Valores de Londres, cujo foi multado, preso e humilhado pela corte britânica; porém conseguiu dar uma reviravolta quando foi liberto dos castigos no pelouro e novamente ser reeleito após um mês a sua prisão, ainda enfrentou rumores e ataques de motins por conta de sua libertação e ser difamados por seus adversários políticos por ter voltado a Camara Baixa. Logo após o incidente anunciou em jornais que países que estavam se tornando independentes ele estava disposto a ajudar como mercenário naval, no qual o Chile lhe chamou para organizar e comandar a sua marinha em 1818, mas ficou lá até 1820 quando participou da expedição de libertação e independência do Peru, entrando em conflito com os chilenos no qual D. Pedro I o aliciou com um convite oficial de 13 de Setembro de 1822 para vir ao Brasil.
No convite oficial do Decreto Imperial de 21 de Março de 1823,o Sir Thomas Cochrane aceitou o solicitações do Imperador do Brasil, D. Pedro I, que lhe deu total garantias e autonomia para reformar a armada nacional, desvencilhando completamente das antigas estruturas de Portugal e criando uma nova Marinha Imperial sem o oficialato alinhados ao seu pai e aos interesses do Estado do Reino de Portugal, e o empossando como Primeiro-Almirante da Marinha Imperial de chefe de esquadra da armada pela nau "D. Pedro I;" imediatamente tomou parte nas lutas da Indepêndencia do Brasil na Bahia liderando o bloqueio marítimo em Salvador em 1823 sufocando os inimigos a ficarem sem suprimentos devido ao cerco naval as tropas lusas se obrigaram a retirar-se de Salvador em 2 de Julho abandonando a Bahia, garantindo assim a autonomia, independência e domíno naval da costa nordeste brasileira.
No mesmo ano também designado ir a Província do Maranhão conter a elite econômica da província que era ainda muito ligada e controlada pela metrópole lisboeta. Em um embuste com uma frota enviado do Rio de Janeiro comandada pelo Sir Cochrane abarcou em São Luis fingindo ser reforços portugueses a colônia. Ao desembarcar com suas tropas seus homens aprisionaram os lideres militares portugueses na cidade e declararam o bloqueio naval com ameaças de borbardearem a cidade se não aderirem a independência do Brasil onde havia sido contida os rebeldes na Bahia. Sem opção os oficiais portugueses cederam e a ofensivas rendeu-lhes honrarias de D. Pedro I com o título de Marquês do Maranhão em 25 de Novembro de 1823. Outra campanha naval promovida pelo Sir Cochrane foi a província do Grão-Pará onde foi a última instância a adesão a Independência do Brasil, onde mandou seu oficial subordinado, o almirante John Pascoe Grenfell a usar a mesma estratégia para forçar a rendição. Também atuou diretamente na repressão da revolta da Confederação do Equador em Pernambuco, consolidando com bloqueios navais no Recife para impedir a vinda de tropas portuguesas e conter a revolta de separatistas e enfraquecer os rebeldes vindos do Norte e Nordeste por terra derrotando as forças confederadas no final de 1824 sendo uma figura representativa na unificação do território brasileiro após a Indepêndia de Portugal.
Embora tenha conquistado muitos feitos em batalhas navais era uma figura muito controversa sendo condecorado como herói pela fidalguia e elite naval e outras horas sendo acusado de um mero pirata com uma carta de corso, pois também tinha uma má fama de ser conhecido como "Louco por dinheiro" ou "Ladrão dos mares," inclusive envolveu-se em conflitos financeiros como a cobrança de soldos atrasados por seus serviços mercenários a corte brasileira, além de ser acusado de pilhagem aos cofres públicos no Maranhão. O fato é que seus serviços prestados a recém nação brasileira foi somente pagas integralmente após 60 anos de sua saída da Marinha Imperial do Brasil.
Num desses incidentes, pelo ofício n.º 301 de 5 de Novembro de 1825 ele informou em carta-duplicata escrita no dia 28 de junho de 1825 as causas de ter levado a fragata brasileira "Piranga"para o porto de Londres explicando ao Ministro da Marinha de Guerra do Brasil que a presença da fragata brasileira tão perto de Portugal teria o efeito de reconhecimento efetivo da Independência do Brasil para toda a Europa. Em seguida solicitou que transmitisse ao imperador suas congratulações pela conquista da Independência e pela restauração da paz e da amizade da união dos Portos às Nações Amigas que havia entre o Reino Unido e Portugal e a restauração de paz e amizada entre o Brasil e Portugal, assinado pelo tratado de 29 de agosto de 1825 com mediação dos embaixadores e cônsules do Reino Unido.
"...informo que o departamento naval não deixou nada por fazer, antes de sua partida do Maranhão, não havendo nenhum inimigo em território brasileiro, nenhum navio hostil em seus mares e nenhuma dissensão interna e que naquele momento, por força do decreto de 27 de fevereiro de 1824, termina sua autoridade como comandante-em-chefe da Esquadra Brasileira."
Ao final da carta informou que o primeiro vento favorável após o dia 10 de Novembro de 1825 a fragata "Piranga" tinha ordem de partir e retornar ao Brasil. No Reino Unido foi contatado para ir à Grécia na tentava de conquistar sua independência do Sublime Império Otomano, entretanto não obteve êxito, e foi culpado pelo fracasso grego na Batalha de Falero, sendo forçado a renunciar o posto de comandante chefe da armada grega e retornou a sua terra natal, onde recebeu o indulto por suas acusações de crime financeiro a Bolsa de Valores de Londres sendo readimitido a Marinha Real como Contra-Almirante, voltou a herdar o seu título de 10º Conde de Dundonald e passou seu tempo concentrado em pesquisas científicas para aplicações marítimas e raramente viasse à bordo de um navio. Sua saúde começou a debilitar onde acabou falecendo aos 84 anos de idade durante uma cirurgia de cálculo renal. Ganhou a mais alta honraria póstuma da corte britânica com seus restos mortais sendo depositados a descansar na Abadia de Westminster, lugar sagrado para realeza do império britânico.
Para os britânicos ganhou títulos de Lord of the Seas e outras condecorações militares considerado como um homem de feito extraordínario e um militar excepcional sendo um verdadeiro herói nacional, já no Brasil sua história foi ofuscada pelo Almirante Joaquim Marques de Lisboa, conhecido popularmente como Marquês de Tamandaré ou Almirante Tamandaré.
MAIS UM COMANDANTE ESCOCÊS
Capitão-de-Fragata Arthur de Azevedo Thompson (Brasil: Nictheroy ☆ 06.FB.1851 - 1892.MA.07 † Rio de Janeiro: Brasil) era filho do Capitão-Tenente Cypriano de Azevedo Thompson (BR, Nictheroy ☆ 15.FB.1820 - 1895.AG.17 † Rio de Janeiro, BR); neto do Capitão-Tenente, Ricardo Thompson (PT, Lisboa☆ 04.ST.1794 - 1849.ST.11 † Nictheroy, BR); e bisneto do Contra-Almirante Daniel Thompson (UK: Sct: Argyll and Bute ☆circa ~ 1754 - 1815.OC.26 † Rio de Janeiro, BR) onde seu bisavô também aparece nos Censo de Gilbratar de 1777 (território britânico conquistado pelo Tratado de Utrecht em 1713) como um cidadão nascido e registrado e residente britânico em Gibraltar, segundo registros ele nasceu na Escócia em alguma cidade do Conselho de Argyll and Bute e posteriormente seus pais se mudaram as pressas para Gibraltar onde foi registrado. Devido a proximidade de Gibraltar com Portugal ele ingressou na Marinha Real Portuguesa em 2 de Abril de 1786 e no auge dos seus 32 anos era conhecido por ser um experiente nauta corsário de Gibraltar, já que o Reino Unido já lhe havia concedido a Carta de Corso para abordar e pilhar embarcaçôes inimigas a serviço e em honra dos britânicos. Em apenas quatro meses como oficial da marinha portuguesa foi promovido a Capitão-Tenente em 14 de Agosto de 1786; já em ações designadas em 26 de maio de 1789 retornou ao Estreito de Gibraltar no comando de esquadras pra atacar e perseguir um xebec (embarcação à vela de corsários africanos) argelino. Daniel Thompson foi promovido a Capitão-de-Fragada em 16 de Dezembro de 1793 e neste período deixou o anglicanismo para converter-se ao catolicismo em 1794 onde foi batizado na Igreja do Santíssimo Sacramento de Lisboa, com testemunhas representando seus pais: Daniel Thompson e Maria Cronen, tendo como padrinho de batismo Carlos O'neill o títular da dinastia Clanaboy O'neill. Já em 20 de Outubro de 1796 chegou ao posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra pela Armada Real Portuguesa. Anos mais tarde foi aprovado para ser Administrador de Moedas pelo Conselho Marítimo em 19 de Setembro de 1801. Participou como um dos comandantes da frota que trouxe a Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808, comandando o bergatim "Lebre" que integrou a Marinha Real Portuguesa no final do XVIII, com dois mastros e 24 canhoneiras. Meses após desembarcar ao Brasil foi promovido para Chefe-de-Divisão ou Contra-Almirante em 8 de Março de 1808. Veio a viver com a corte portuguesa no Rio de Janeiro onde acabou falecendo em 25 de Outubro de 1815. (fonte: Bosano-Andrews).
Descendente de escoceses, nascido no Rio de Janeiro, tornou-se Aspirante de Guarda-Marinha pela Academia Real de Guarda-Marinha (1782-1886) aos 14 anos de idade em 16 de Fevereriro de 1867, fazendo sua primeira viagem de instrução a bordo da corveta "Baiana" neste mesmo ano. Formou-se como Guarda-Marinha em 16 de Setembro de 1867, embarcando em outros nos navios da esquadra, como a fragata "Amazonas" ; canhoneira "Araguari"; o vapor "Princesa de Joinville"; o encouraçado "Brasil" e fragata "Lima de Barros" quando em 16 de Junho de 1868 foi embarcado fragata "Lima Barros" participando de campanhas de reconhecimento na guarnição contra as fortificações paraguaias de Humaitá e Angostura durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) e também na proteção da passagem dos encouraçados "Cabral", "Silvado" e "Piauí" pelas mesmas baterias no dia 21 de Junho de 1868. No dia 25, fazendo parte do posto de guarnição da mesma fragata, metralhou o inimigo que evacuram da Fortaleza de Humaitá se refugiando no Chaco, logo no dia 27 forçou as baterias do Timbó, tomando parte no reconhecimento a tiros de metralha na Fortaleza do Tibiquarí entre os dias 29 e 30 de Agosto do mesmo ano. Ainda participou das batalhas embarcado na fragata "Amazonas", na corveta "Nictheroy" e como imediato no encouraçado "Aquidabã." Foi coletivamente laureado pela Ordem do Dia n.º177 de 17 de Setembro de 1868, do Comando-em-Chefe-da Esquadra em Operações no Paraguai, por dedicado ato de bravura de expedição de reconhecimento à fortificação Angustura debaixo de fogo de artilharia inimiga no dia 7 de Setembro do mesmo ano, tomando parte no combate contra o Forte Angustura no dia 1º de Outubro e no dia 9 forçaram as baterias da fortaleza para enfraquecer suas defesas. Em 5 a 9 de Dezembro de 1868 conseguiram passar com os demais encouraçados da frota brasileira do Chaco para o lado Paraguaio, sendo muito elogiado pelo Comandante-em-Chefe da Esquadra. Foi graduado a Segundo-Tentente em 9 de Novembro de 1868. No dia 16 de Dezembro do ano findo forçou novamente as baterias em Angustura e no dia 19 debaixo de uma chuva de fogos das baterias inimigas atravessou águas acima novamente, retornando e servindo na fragata "Amazonas"em 1869. Passou a servir a corveta "Baiana" em Maio de 1870 e em Dezembro foi nomeado para servir a canhoneira "Mearim." Após o fim do conflito foi condecorado com louvor e votos de gratidão na Câmra dos Deputados na sessão 11 de maio de 1870. Esteve também na corveta "Guanabara" (1880). Mister Arthur Thompson foi diplomado e condecorado com a honraria de Cavaleiro da Ordem da Rosa em 23 de Maio de 1871, por seus serviços prestados. Nomeadamente empossado como Primeiro-Tentente, no dia 5 de Janeiro de 1872, embarcou na corveta "Niterói" (1872-1874); no encouraçado "Mariz e Barros"; no vapor "Amazonas"e no brigue-barca "Itamaracá (1873). Ainda exerceu com proficiência como Instrutor de Artilharia, e Ajudante e Secretário do Batalhão Naval em 1875, 1878 e 1879. Mais tarde foi nomeado professor de História Natural dos Guardas-Marinhas da turma de 1880. Professor de História Naval em 1882, quando e também exercia como imediato da corveta "Guanabara" e servido também no Corpo de Imperiais Marinheiros (1882). Esteve no cruzador "Almirante Barroso" (1883); no tranporte "Purus"(1884), na flotilha do Amazonas e Comandante da canhoneira "Afonso Celso" (1884). Virou Capitão-Tenente em 9 de Novembro de 1885. Por aviso de 30 de Maio de 1886, foi elogiado na requisição do Ministério do Império pelos seus esforços satisfatórios que desempenhou no serviço sanitário do porto de Santos que passava por uma epidemia de colera-morbus das repúblicas vizinhas. Comandou o encouraçado "Javari" (1888). Tornou-se Ajudante do Arsenal da Corte em 1889, e finamente tornou-se Comandante do Batalhão Naval em 1890.
A ADMISSÃO DO GORRO ESCOCÊS
A história a adoção do gorro escocês no Brasil foi uma iniciativa introduzida pelo Almirante Sir Percy Moreton Scott da Royal Navy ao Comandante do Batalhão Naval foi lhe presenteou enviando com uma gorro Glengarry como símbolo das relaçãos diplomáticas entre a Marinha Imperial do Brasil e a Real Marinha do Reino Unido por comemoração ao início da República Federativa do Brasil no mês de Dezembro de 1889. No início do ano de 1890 pediu permissão para introduzir o gorro glengarry as tropas do seu batalhão ao desfile da promulgação da república, demonstrando o galhardia de seu grupo sob seu comando. Pelo decreto criado n.º 193-B do Batalhão Naval de 30 de Janeiro de 1890 foi introduzido com parte integrante do uniforme dos Fuzileiros Navais, rememorando os feitos por britânicos as forças armadas brasileiras. Em conformidade as ordens do Ministro da Marinha em 26 de Maio de 1890, apresentando o seu Batalhão Naval em revista as ordens a disciplina militar em preparativos ao desfile cívico-militar de 15 de Novembro é que o Capitão de Fragata, mister Arthur de Azevedo Thompson, começou a providenciar o novo item ao uniforme.
No desfile comemorativo da República seus oficiais portavam um novo tipo de cobertura as forças navais. Na pressa de fazerem o novo gorro para desfile, aproveitaram caxangás e os transforaram em um gorro escocês e não deu tempo de adicionarem os laços e as fitas, ficando o gorro parecendo um gorro bivaque. Mesmo assim por aviso do Ministério da Marinha em 19 de Novembro de 1890:
"Elogio por ocasião de desembarque das forças de mar que formaram no dia 15 de Novembro para comemorar o primeiro aniversário da República, pelo asseio, disciplina e garbo na marcha, certeza nas manobras e movimentos demonstrando assim, que não foram esquecidos os exercícios feitos."
Em 26 de Fevereio 1891 ao demonstrar as novas marchas marciais foi ovacionado por parte da brigada da Marinha exclamando: "Com inexcedível asseio, disciplina tem como toda a regularidade de movimentos nas diferentes evoluções se apresentou o Batalhão Naval a prestar as devidas continencias aos Primeiro Magistrado da República." No mesmo ano em 11 de Junho ganhou o posto de Capitão-de-Fragtata, assumindo a corveta "Niterói" o encouraçado "Aquibadã"e o vapor "Madeira" (1891); depois o encouraçado "Sete de Setembro" ( 1892) e Vice-Diretor da Escola Naval (1892). O mister era Cavaleiro da Ordem da Rosa e Cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz além das medalhas: A Medalha Geral da Campanha do Paraguai e a Medalha Argentina comemorativa da Campanha do Paraguai. Faleceu aos 42 anos em sua residência no dia 7 de Maio de 1892, na Capital Federal do Rio de Janeiro.
O PRESENTE QUE VIROU UNIFORME
Até o seu retorno ao Reino Unido quinze meses tarde, foi condecorado pelo almirantado da Marinha Real por seu trabalho, mas em sua própria biografia ao regressar para a Inglaterra, salientou que descobriu que sua ideia havia sido pirateada e patenteada por outra pessoa e por fim, o alto escalão da marinha britânica deixou sua usar sua invenção por vinte e cinco anos para não dar créditos ou pagar royalties de qualquer possível patente sobre seu invento.
Ao regressar da Austrália via África do Sul, a bordo deparou-se com um incêncio atracando na baía de Simon na baía falsa na Península do Cabo na África do Sul. Ele aperfeiçoou um capacete anti-fumaça depois do incêncio porque era pouco útil devido ao seu peso e como alternativo começou adaptá-lo para o mergulho que era mais prático do que usar em terra firme. Para combate à incêncidos concebeu um capacte com o casco mais leve e curto com com cinta para prender na cabeça e e sistema de filtro eficaz para que fumaça não fosse canalizada para usuário, provando ser eficaz e rápido de usar, mas uma vez Scott escreveu ao almirantado que seu projeto era bom equipamento para brigadas de incêncio a bordo para conter as chamas, porém seu projeto foi mais uma vez rejeitado, como sempre, trinta anos mais tarde, parte de suas ideias foram implementadas.
Na rota de volta para a casa a fragata "Inconstant"recebue ordens para ir de Gibraltar para Alexandria, onde presenciou o bombardeio naval britanico em 1882 aos fortes egípcios em Alexandria, testemunhando a imprecisão dos artilheiros britânicos in loco e o desperdicio de recursos e começou a formular suas próprias ideias sobre a natura do fogo na batalha naval. Pensou em soluções para fornecer melhor a artilharia britânica, inclusive deu-se o trabalho de pilhar os canhões inimigos dos fortes capturados, desmontar, remontar e readequar as forças navais britânicas. Quando em 1883 designado embarcar no navio-escola de treinamento de artilharia "HMS Cambridge" e seis meses foi transferido para a fragata de pedra "Excellent" onde retomou sua ideia de criar uma escola de artilharia na Ilha da Baleira. Sabendo das perspectivas pouco promissoras, elaborou um plano detalhado que submeteu ao comandante do "Excellent" o capitão John Fisher, que após cuidadosa análise, apresentou ao almirantado a sua recomendação. Após anos seu plano foi aceito e sendo a construção iniciada de imediato. Aina deste período foi nomeado para fazer parte de um comitê para rever e padronizar os regulamentos e uniformes da Royal Navy. Nesta época os oficiais da marinha britânica usavam praticamente o que queriam e criaram a regulamentação dos uniformes por conta de uma advertência do Príncipe de Gales, Albert Edward. Já em 1886, Sir Scott foi promovido ao posto de segundo-comandante do cruzador-leve "HMS Edinburgh" aproveitando a estadia para implementar suas ideias de aprimoramento da artilharia realizando exercícios práticos regulares de tiro, mas foi forçado a parar seus experimentos para direcionar seus esforços as terefas da faina no navio.
"Naqueles dias era costumeiro um comandante gastar metade do seu salário ou mais na comprar de tinta para adornar navios de Sua Magestade; e era o único caminho para uma promoção. Um navio tinha de ter um aspecto; a beleza era necessária para a promoção, e como o almirantado não fornecida recursos muito menos tinta ou materiais de limpeza suficiente para manter o navio impecável aos padrões exigido, os oficiais tinham que fazer o que puder para encontrar dinheiro e para manter as embarcações impecáveis e comprar o que fosse necessário."
Durante sua estadia no cruzador "Edinburgh" serviu também a Frota do Mediterrâneo (prestigiosa rota entre o Reino Unido e a Índia), onde observou dificuldades enfrentadas entre os navios para fazer sinais para a frota durante a noite. Pensando numa solução ele desenvolveu um sistema de sinais de luzes no topo do mastro onde podesse ser visto por todas as direções, a as alturas diferente não causaria confusão dentre outras luzes vista no horizonte identificando facilmente a superestrutura do navio-almirante. Esse invento foi adotado no navio-almirante, mas o almirantando introduziu o projeto na frota para uso geral de forma alterada ao projeto original e consequentemente não funcionou após anos foi considerado o teste "um disperdício de dinheiro público" e tiveram que adotar o projeto original de Scott que foi um sucesso já esperado. Seu invento precursor é um dispositivo de lâmpadas de acendimento manipulado a distância em comunicação visual a noite realizada por Código Morse ficou conhecido na época como sinalizador Scott ou holofote Scott, e a Marinha do Brasil foi uma das primeiras forças estrangeiras a adotar em sua frota.
A VISITA POSTERGADA VIROU UM PRESENTE
Em meados de 1889 era para ter vindo ao Brasil pessoalmente para avaliar a introdução do sistema de sinalização Scott em embarcações da Marinha Imperial Brasileira, porém ele estava envolvido em outra inovação de projeto naval de um canhão de 4,7 polegadas para a Royal Navy. Final de 1889 o Brasil sofre um Golpe de Estado (Proclamação da República) patrocinada pelas forças armadas do Brasil. Por sua ausência em 1889 e por terem instaurado o regime republicano ao Brasil, prestou suas congratulações a Marinha do Brasil pela adoção do Sinalizador Scott e pela conquista da nova forma de governo, e pelas relações das vias diplomáticas entre o Brasil-Reino Unido enviando uma carta com o presente de um gorro glengarry como símbolo de poder da Marinha Britânica e as relações de amizade com a Armada Brasileira, recebida em mãos do capitão-de-Fragata Arthur Thompson que gostou tanto do presente que decidiu também introduzir na Marinha Brasileira pelo fato do almirantado brasileiro ter tantos descendentes britânicos e escôceses e introduziu como parte do uniforme para força naval como Scott fez na Armada Britânica.
No inicio 1890 no Rio de Janeiro chegou a carta consigo um gorro glengário (Glengarry) em mãos do do Capitão Arthur de Azevedo Thompson que gostou tanto que decidiu introduzir ao Corpo de Fuzileiros Navais como forma de condecoração aos mais aptos em serviço dentro do batalhão. O gorro tornou-se rapidademente uma condecoração demonstrando, honra, galhardia e picardia de ostentação especialmente pelo fato de os ingleses sempre terem um longo domínio de batalhas pelos mares, e evocar os Glengarry Fencibles como os mais altos defensores das terras britânicas contra os franceses e acabou sendo bem aceito pela Marinha do Brasil como estímulo aos soldados marinos, tornando-o parte integrante do uniforme de gala pelo Corpo Naval, instituindo assim uma unidade diferenciada e única para os soldados navais brasileiros.
A TRAJETÓRIA DE SIR SCOTT
O Sir Scott foi promovido a capitão em 1893, serviu o Comitê de Artilharia da Royal Navy até 1896 no mesmo ano foi nomeado como capitão do cruzador "HMS Scylla" da fora do Mediterrâneo. Durante este tempo observou a sinalização noturna entre os navios da frota era muito lenta e imprecisa, no qual resolveu aperfeiçoar seus sinalizadores, além de desenvolver uma nova lâmpada intermitente e mais eficaz. Assim a adoção do programa de sinalização Scott foi toda refeita na frota do Mediterrâneo. Um relatório submetido em 1899, expôs as inedequações do antigo sistema e promovendo uma ideia que levou novamente anos para ser adotada. Entre 1897 e 1898 obteve resultados pífios no Torneio Anual de Caça-a-Navios Apreendidos e alcançou nos resultados apenas 13% de acertos com seus canhões de 4,7 polegadas, porém no torneio de 1898 se destacou no segundo lugar da frota do Mediterrâneo. Fez outros experimentos de artilharia para melhorar os equipamentos e percebeu que precisava de mais um operador para acertar a mira telescópica enquanto ajustava o alvo, mudando o calibre das armas para testar e criou a função de um ajudante de ajustador de mira aumentando as chances de acertar o alvo. Nessa época o almirantado expressou desaprovação veentemente pelo aumento da equipe de artilharia, mas quatro anos depois o ajustador de mira virou padrão em toda artilharia britânica. Em 26 de Setembro de 1898, Sir Scott informou aos superiores que seus experimentos com um canhão de 4,7 polegadas conseguia atingir o alvo com precisão de 80% e lhe rendeu a premiação do canhão mais pesado que já havia sido alcançada até então na Marinha Real Britânica.
Em meados de 1890 recebeu o camando do cruzador "HMS Terrible" com ordens para navegar até a China. Solicitou ao invés de seguir a rota original pelo Canal de Suez pudesse passar pelo Cabo da Boa Esperança por conta das hostilidades na África do Sul e ao chegar encontrou guerra eminente sem ameaças ao mar, determinou adaptar os canhões da marinha para montá-los sobre roda e usar como artilharia em terra firme já que o exército britânico não disponha de artilharia de longo alcançe. Os canhões foram tão eficientes em combate que Sir Percy Scott foi nomeado Comandante Militar de Durban, até a cidade de Natal estar completamente segura, introduzindo ainda holofote de navio montado em caminhão com um dínamo para comunicação em Código-Morse provando ser eficaz. Transformou dois navios em navios-hospitais, em 13 de Março de 1900 foi condecorado como cavaleiro Companheiro da Ordem do Banho em reconhecimento aos serviços prestados na África do Sul, partindo para prosseguir viagem finalmente até a China.
Ao chegar a China sua tripulação se envolveu na Rebelião dos Boxers (movimento de expulsão de influência extrangeira na China) e mais uma vez seus canhões serviram de auxílio terrestre dando contribuição à Batalha de Tianjin (resgate de estrangeiros sitiados). Após o cessar-fogo aprimorou as capacidades de artilhara do navio e superando seus resultados de fogo. Em 1902 passou alguns meses em Hong Kong oferecendo ajuda humanitária a população local, e retornou a Grã-Bretanha sendo recebido com um jantar público em Portsmouth. No final de Outubro visitou o Castelo de Balmoral (uma das residências da Família Britânica) para receber as condecorações da Ordem do Banho o nomeando também como Comandante da Ordem Real Vitoriana. Em 1903 foi nomeado como Ajudante-de-Campo do Rei, um cargo honorífico que ocupou até o posto de Contra-Almirante em 1905 e inspetor de prática de tiro, cargo criado especialmente para ele dentro da Marinha. Em 1907 assumiu o comando do 1º Esquadrão de Cruzadores no qual se envolveu em polêmicas uma delas foi por conta visita do Imperador da Alemanha o Kaiser Guilherme II ordenando a frota deixar as embarcações impecáveis para inspeção oficial, porém o mesmo se atrasou e nem teve tempo de inspecionar a frota; além de criticar a construção de navios com o mastro principal atrás da chaminé dianteira compromentendo a eficácia da posição de observação de tiro no mastro principal. Embora suas considerações fossem justificáveis e justas boa parte da marinha o detestava por seus esforços por apontar erros grosseiros, além de seu hábito de apelar diretamente o Primeiro Lorde do Almirantado, não lhe rendeu amigos de farda.
A VISITA AO BRASIL
Em 1908 se envolveu em novo incidente quando duas embarcações navegando em paralelo causaram colisão com navios à frente ordenando que o navio abalroado continuasse a repetir o desastre eminente a frente. Em 28 de Novembro de 1908 o Almirante Sir Percy Scott finalmente chegou a costa brasileira e no dia 2 de Dezembro de 1908 em visita ao Rio de Janeiro no comando do 2º Esquadrão de Cruzadores da Royal Navy no navio-almirante "HMS Drake" seguidos pela esquadra "HMS Antrim", "HMS Carnarvon" e "HMS Devonshire." Sua viagem de boa-vontade e amizade diplomática à América do Sul após sua passagem pela África do Sul. Recepcionado o esquadrão com pomposas festividades pelas autoridades navais brasileiras, com a cordialidade dos oficiais conheceu a frota da Marinha do Brasil e posteriormente esteve em outros eventos na cidade inclusive foi em eventos em Petrópolis. Após a visita, enviou uma carta oficial ao Chefe do Estado-Maior da Armada Brasileira, o Almirante Joaqum Antonio Cordovil Maurity agradecendo a calorosa recepção ao esquadrão britânico, onde partiu para ir a Montevidéu e a Buenos Aires.
Ao retornar na sua viagem dedicou-se ao desenvolvimento de artilharia em 1910 criando um sistema centralizado de controle de tiro permitindo que apenas um operador disparasse simultaneamente todos os canhões do navio a partir do passdiço (torre ou ponte de comando). Em 1911 fez novos testes de artilharia no encouraçado "HMS Neptune" com impressionantes resultados divulgado na época. Em 1912 para encerrar as controvérsias dentro da Royal Navy o Primeiro Lorde do Almirantado, o Senhor Winston Churchill ordenou testar o navio de Scott com o sistema centralizado e com outros encouraçados tradicionais, demonstrando esmagadoramente que o "HMS Neptune"era a arma do futuro na guera naval. Em 1913 ainda implementou um dispositivo de treinamento para artilheiros com o sistema dotter, uma máquina eletromecânica para melhorar a pontaria da artilharia, foi agraciado em 3 de Fevereiro com título hereditário de Primeiro Baronete de Witley ( não confundir com Barão) o ganhou o posto de Almirante em 20 de Março de 1913 e no dia seguinte em 21 de Março de 1913 pediu sua aposentadoria para dar lugar à promoção de homens mais jovens, porém continuou empregado na Marinha Britânica como Diretor de Tiro.
Sir Percy Moreton Scott era um homem inquieto e se envolveu também na eficácia de defesa anti-submarina. Em 1914 submarinso era uma ameaça eminente assim como as aeronaves no qual publicou no jornal London Times críticas a provisão para a Royal Navy obter esses equipamentos e declarou su crítica ao jornal:
"...provavelmente se fossemos à guerra, deveriamos imediatamente trancar nossos navios de guerra em um cofre." — recebendo uma enxurrada de críticas negativas.
ESFORÇOS DE GUERRA
Em plena I Guerra Mundial em 1914, Scott apresentou soluções balísticas de longo alcance que sob pressão de canhões alemãs que o convocaram com urgência por soluções práticas. O primeiro trabalho foi criar um embuste aos alemães convertendo navios mercantes em esquadrão naval fictício para atrair as ameaças submarinas. Ele propos por arietes em torpedeiros, contratorpedeiros e arrastões armados e um artefato explosivo para atacar submarinos, dedicou a implementar sistemas de tiro dirigido na frota, porém 1916 poucas embarcações estavam equipadas devidamente e o seu filho mais velho aspirante a oficial morreu na Batalha Jutland. Em 1915 recusou o comando da frota no Mediterrâneo oferecido por Churchul dizendo ser incapaz de desempenhar a tarefa sendo designado pelo Primeiro Lorde do Almirantado, Arthur Balfour para que Scott estabelecesse a área de defesa aérea de Londres. Desenvolveu armamento anti-aéreo para proteger a cidade além de priorizar pilotos capazes de interceptar zepelins e desenvolver munição para as aeronaves atacarem os zepelins, trabalhando incansavelmente para as armas antiaéreas diversificando equipamentos antiaéreos e eficiência dos canhões, além de alterações nos holofotes dos navios da marinha para melhorar a capacidade de combater no escuro. Em 1918 seus conselhos eram ignorados recebendo críticas dos seus superiores, rebatendo as críticas publicamente do conservadorismo da Marinha Real Britânica em tablóides defendendo a obsolescência dos navios de guerras tradicionais diante das novas armas de guerra.
Em 1919 publicou sua autobiografia no livro Fifty Years in the Royal Navy (Cinquenta Anos na Marinha Real) que novamente gerou polêmica aberta e criticando a resistência e atraso nas forças navais, além de outros livros. Como oficial da marinha ganhava um alto salário, como também ganhava royalties sobre a permissão e comercialização de suas invenções se entregando cada vez mais a a arrogância intelectual e natureza crítica combinando a sua autopromoção entrando em conflitos diretos com as autoridades da Marinha Britânica. É inegável o reconhecimento de seus méritos na I Guerra Mundial e introdução de novas ideias e tecnologias. Em 1920 inventou o cortador de grama motorizado prevendo que vai chegar o dia em que os jardineiros se recusaram a trabalhar para um homem que não tiver um cortador de grama automático. Morreu de ataque cardíaco em Londres no dia 18 de Outubro de 1924, aos 71 anos de idade, onde suas cinzas foram jogadas ao mar na região de Spithead em Portsmouth, seguindo a tradição naval.
Seu invento o holofote Scott, foi só regulamentado internacionamente em 1972 estabelecido pela Organização Marítima Internacional (IMO) no Convention on the International Regulations for Preventing Collisions at Sea (COLREG) é o acrônimo de Regulamento Internacional para Evitar Abalrroamentos no Mar.
O gorro Glengário utilizado pela Marinha do Brasil é predominantemente branco, simboliza a cor de nobreza na maioria das marinhas pelo mundo, com uma roseta de três laços de fita preto, símbolo de luta e ardor já que é a representação dos laços é da Cruz da Vida como símbolo de superação à morte. Outro significado mais moderno seria a representação do campo de combate: Mar, Terra e Ar, e ao centro há um distintivo metálico em ouro com o brasão dos Fuzileiros Navais do Brasil que é uma âncora em chefe e dois fuzis entrelaçados em cruz sautor ou Santo André como insígnia de bravura da corporação. Atrás do gorro há um laço chato de duas voltas com duas fitas pretas penduradas mais curtas que o gorro original. Essa fita é símbolo de sabedoria, maestria e respeito como um sinal claro de virtudes como a da perícia e paciência. Porém as fitas são sinal claro das antigas perucas de juízes ingleses, que significam principalmente na magistratura a evocação da Ordem e da Justiça.
Fonte: cameronians
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