COOLHUNTING E TENDENCIAS APLICADAS AO DESIGN COM PAULA ABBAS - CHARNEIRA 2013 INSIGHT



"Esta é uma ferramenta  para entender o consumidor moderno". É assim que Paula Abbas define o seu trabalho. Nesta palestra mostrou um pouco de tudo, sua experiência na vida profissional, metodologia, e tendências futuras.

Explicou que sua paixão é compartilhar conhecimento. Formada em Direito e pós graduada Direito Tributário Internacional e mestrado em Direito Empresarial acabou escolhendo outro caminho para sua vida e foi trabalhar na área de moda como coolhunting. Acabou fazendo Marketing e Design de Interiores. Hoje atende em sua própria empresa como principais clientes agências publicitárias e ainda não teve nenhum cliente na área de moda.


Chegou a estudar psicanalise e psicologia e design thinking como coolhunter e afirmou que o design é muito valorizado hoje em dia muito mais que muitos empreendedores de administração, pois não tem a visão que o designers têm.

Afirmou ainda que sociólogos dizem que o design é a profissão do futuro. "Minha empresa se chama Animatrends. Porquê anima? Porque ao perguntar o que eles queriam (clientes), não traziam resultados (as perguntas)." Então qual era a anima de entender e motivar os consumidores? Foi assim que escolheu o nome de sua empresa. 

Existem uma metodologia para chegar ao resultado. "O quê fazemos é encontrar o problema e levantarmos as informações  relevantes." E vivemos o Zeitgeist o espírito do tempo entendendo o que acontecia antigamente para trazer ele em um novo panorama.
Exemplificando a questão que disse que era preciso estabelecer conexões improváveis  para analisar o Zeitgeist e capturar o conhecimento que circula no mundo. "O nosso desafio é sincronizar o tempo e as informações".

Ainda disse que tudo isso é feito por pesquisas com metodologias de antropologia, etnografia urbana e oculta, em técnicas adaptadas é uma pesquisa ampla realizada pelo coolhunting utilizando várias técnicas. Disse ainda que o nome não é receptivo, pois a maioria no mercado não entendem o que estão fazendo.

A primeira coisa que precisavamos entender segundo Paula Abbas é que: "O futuro está aqui. Ainda não chegou para todos" citando Willian Gibson - afirmando que tendências de consumo já estão planejadas muito a frente do seu tempo esperando para serem popularizadas.

"As empresas pensam na vida das pessoas para daqui a 30 anos". Um exemplo que ela cita é que a tecnologia permitiu que as pessoas trabalhassem em horários alternativos. "O futuro já está desenhado. A verdade é que temos muita informação superficial massificada, pois utilizamos das mesmas fontes". ainda relata que se você tem uma boa ideia já tem gente pensando muito tempo antes de você, você terá que se perguntar de onde vem minhas referências, as  minhas pesquisas, pois isso determina o sucesso ou o fracasso de uma ideia.

Para  Abbas, as tendências  são movimentos, pois se o mundo fosse inerte ainda viveríamos como no século XVIII, por exemplo.  Seriam as mesmas coisas do que daquela época sempre, o que move as coisas é que o cenário (contexto atual) muda as definições de uma tendência, por isso ela nunca vai ser constante e imutável.

Considera uma tendência como uma anomalia, é algo estranho que está para surgir, no inconsciente coletivo, ou um desvio de forma que torna proeminente após  um período  de tempo a medida em que mais pessoas e produtos utilizam o  mesmo preceito a ideia acaba passando a fazer parte dessa nova mudança.

Cita que a as novas tendências podem ser o estilo dos Steampunks já muito presente na literatura e cinema ( http://www.tecmundo.com.br/12074-o-que-e-steampunk-.htm ) já super difundidos no mundo essa estética está vindo para ficar. Você pode não ter percebido mas essa tendência já está presente em filmes hollywoodianos que incorporam facilmente essas novas estéticas em filmes com novas linguagens principalmente os filmes de Tim Burton. Isso vai se difundindo através da música como a banda Abney Park


Se isso é sinal de anomalia e não sabe onde se encaixa, tenha certeza você irá atrás. As pessoas gostam do estranho. A primeira reação é de rejeição e depois isso acaba se incorporando naturalmente na sociedade  o problema é que a maioria não percebe as coisas na forma crua, que acabam virando tendência.

Quanto mais produtos, mais mídia, mais essa anomalia vai se tornando moda. E todo mundo acaba desejando antes o ninguém queria seguir. Somos massa. tudo que os outros consomem nós seguimos pois queremos pertencer a algo e não queremos ficar fora dele.

O que vira moda em que todo mundo em acaba desejando ir atrás, são empresas de inteligência como a IBM que faz isso ao anunciar ao jornal The Guardian na Inglaterra que o Steampunk vai ser a próxima coisa em 2014 e 2015. Existem outras empresas que estão trabalhando faz tempo nisso, não adianta querer lançar agora isso, porque essa tendência não vai vingar, haverá uma virada em 2014 e 2015 que tornará ela possível, agora as pessoas a rejeitarão, mas em 2014 essa será a nova estética. Pois tudo o que você gosta é a sociedade que impõem para nós. 

As tendências são fundamentais para nosso entorno emocional, físico e psíquico para traçar nossa trajetória como parte da nossa personalidade constituindo a sua personalidade.

O que fazemos como coohunter é extrair a motivação das pessoas e criar novos produtos e serviços. "Procure entender o impacto em curto, médio e a longo prazo de mudanças". Os países emergentes já são parte dessa nova sociedade que cria tendências. As grandes empresas criam cada vez menos tendências, pois elas fazem o inverso agora, elas pesquisam, entendem e vão atrás de tendências em mercados emergentes.

Paula ainda faz uma analogia entre o que você compra  e o que você representa. "Você nasce, escolhem seu nome, determinam a cor azul ou rosa para identificar o seu sexo, e você cresce vira surfista: O quê um surfista precisa para ser surfista? Uma prancha, uma namorada com o cabelo parafinado, uma Parati - isso é clássico - e é claro ir a praia" Essa coisa toda represente o consumo pois ela quem compôs sua identidade, sem ela não saberiam que era você. " Imagine se todo mundo aqui da platéia estivesse nu sem roupas, todos seriam iguais" - ironizando a compreensão da interpolação de identidade e consumo.

Outro aspecto levantado como tendência é a relação do tempo e privacidade. Estamos todos hoje em super exposição. "Imagine um cara dentro de sua casa de pijama, trabalhando e conversando com clientes em todo lugar do mundo". Isso faz com que a a sua privacidade e tempo sejam preservados sem comprometer a credibilidade da negociação. Cita também que há outros exemplos mais sutis  e é preciso conhecer e perceber as mudanças que não prestam mais.

"O que a gente vive hoje  é: Marca! Marca! Marca!" Pessoas são marcas, coisas são marcas, tudo é marca, tudo pode se transformar no futuro da supremacia da marca. Nunca ninguém falou tanto em design sensorial e emocional. Isto está acontecendo pelo fato da feminilização do mundo. O mundo está deixando de ser racional e cartesiano tipicamente masculino para algo mais sensível, delicado. O mundo está sendo substituído por aspectos cognitivos.

As marcas querem ser jovens o tempo todo, elas querem trazer a sensação de jovialidade para todas as idades, todos querem ser eternamente jovens. Mostrando um pequeno clip conceitual com possíveis tendências para o futuro através de imagens, no qual identifiquei-asem momentos:

Cenário atual

01.A crise de 2008 a recessão econômica mundial e a tragédia grega instaurada.

02.As cores em evidência: Diminuir o impacto negativo da crise na sociedade de consumo, trazer a felicidade em período nebuloso e ainda incerto, tudo ficou colorido.

03. Brasil na moda. Os irmãos Campana marcam o país que deixa de ser meramente um país de commodities para se tornar exportador de tendências.

04. A esmeralda da pátria: A  felicidade do brasileiro nos últimos anos veio carregado de muito verde esmeralda cor presente na bandeira veio marcando as ruas cheias de esperança com as manifestações.

Tudo está prestes a mudar em 2014 e 2015

01. Momentos de contemplação: Tudo estárá voltado a diminuir o estresse e o barulho, e lugares cheios de agitação. Paisagens brancas, quietude levarão um olhar mais profundo de reflexão do ser humano

02. O visceral: O lado profundo do negro, obscuro. Vilões se tornarão heróis, fetiche nas artes, cinema e decoração. Não é a toa que vemos muito preto em lustres ultimamente.

03. Personificação massiva complexa: O mundo em 3D chegou  tudo será mais orgânico e formas complexas e biomiméticas.

O futuro está nas estrelas. Anima trends.

É assim que Paula Abbas encerra seu tópicos de tendências dizendo que o coolhunting compreende esses fenômenos e confronta as tendências e as bizarrices, a melancolia, a depressão, são a nova estética no mundo pós-crise. Para ela o design terá uma grande revolução com os produto 3D e como irá se posicionar perante a não formados que produzirão objetos se intitulando como designers.

O coolhunting é um mercado por exemplo sem concorrência é um mercado desigual (risos). O problema é saber pesquisar em campo e o que fazer com a informação. O sucesso de uma boa pesquisa depende da seriedade do recrutamento para fazer uma pesquisa boa e rápida(em média 45 dias) com objetivos, claros e definidos e caminhos para tentar alcançar para que vire um bom produto. São várias habilidade que dificultam e facilitam o trabalho nesse campo (coolhunting) tem muito espaço.

Já o design é uma coisa mais de vanguarda não é só  para as massas. As massas querem coisas mais elaboradas. O design é para pessoas que tem maior compreensão, o Brasil ainda é pouco criativo é o momento de acreditar. Essa onda de designe ela está vindo e veio para ficar. As classes mais baixas já consomem produtos na Tok&Stok, isso significa que elas não estão querendo mais produtos com baixo valor, esse mercado ainda tem muito para amadurecer, finaliza Paula Abbas.





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