DEBATE DESIGN INSIGHT CRIATIVO COM HAROLDO DE PAULA E CONVIDADOS - CHARNEIRA 2013 INSIGHT INICIO -


A Charneira - evento de design da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - de 2013 tem como tema o Insight começou nesta segunda-feira dia 07/10/2013 com um grande debate com os professores de cada habilitação do curso de desenho industrial da PUCPR, tendo como mediador o professor de filosofia Haroldo de Paula ( Haroldo Osmar de Paula Júnior) presença icônica, questionadora e irreverente com assuntos pertinentes na área do design. E os convidados Aguilar Selhorst Júnior - Projeto do Produto; Camila Ferreira da Costa Teixeira - Projeto de Moda; Ericson Luiz Straub - Projeto Gráfico e Juliana Pereira de Souza - Projeto Digital.


O debate começou após a apresentação breve de cada um dos participantes colocando como discussão lógica o tema: Design o insght criativo. 


Tendo como a primeira discussão de Paula cita um texto com a  questão filosófica de Marilena Chaui em a filosofia subjetiva e raciocínio lógico;  tendo como pano de fundo o  discurso da razão discursiva e a dialética que a que é a passagem da lógica discursiva.



Fazendo empréstimo da obra de Marilena Chaui, faz uma analogia a obra de Guimarães Rosa em  Grande Sertão: Veredas. Fazendo pontuações sobre os sentimentos dos personagens Riobaldo e Diadorim.  Tendo uma dubialidade no meio da uma travessia entre dois jagunços que tem uma relação de amizade enigmática  em que Riobaldo compreende instantaneamente a verdade  que Diadorim tendo feição masculina não se comportava como tal. O insight é a verdade compreendida de forma espontânea e instantânea, como os jagunços que não sabiam direito o que sentiam - completa de Paula.

Essa analogia com a verdade se estendeu em apenas um insight, a compreensão do insight é o que estamos buscando nesta Charneira 2013.

Como o debate foi muito produtivo e também extenso, para não ficar chata a leitura foi dividida em três grandes momentos


01 Momento


O  design é uma forma de  pesquisa que vem de outras áreas do conhecimento, e se apropria de outras áreas para um proposito projetual. A pesquisa vem através de questionamentos e reflexões. Citando que a filosofia é a irmã do design, indaga que é o ser criativo é  como desenvolver ideias ao máximo de criatividade. O que é esse insight?



Para Ericson Straub  o insight é o momento criativo,  como na antiguidade em que o homem na arte tornava-se o criador com um deus, uma conexão com essa filosofia é que o tornava o criador como algo divino. A maneira contemporânea de ver o processo criativo é a partir de uma inquietação que se manifesta através da criação  e a forma como elas estabelecem com as conexões referenciado em seu o livro Conexões Criativas em co-autoria com Marcelo de Castilho.


Para ele hoje não se trabalha mais a ideia de especialização de design. " Não se pode afirmar que sou design de PP (Projeto do Produto ) ou PV (Programação Visual). O design não existe distinção é cross mídia. Nós trabalhamos assim" - disse Ericson em grande entusiasmo.


O processo de insight  vem de sua bagagem e tudo que você vive e diversas situações específicas de alguma forma criarão uma sensação para aumentar seu repertório. Recordando de uma obra de um artista africano que fazia sua arte com pedaços de calçadas do mundo inteiro misturadas com resina na Bienal em São Paulo por volta de 1988 a 1990 fez com que ele tivesse um insight 20 poucos anos depois para um trabalho de um cliente criado recentemente.


" Como a obra de arte vai conectar o que você consegue  absorver para seu trabalho? " - Ericson Straub.

Para Straub a coisa mais fantástica é a parte das experiencias vívidas. A intuição para ele é algo plausível embora a sociedade considera algo que  não seja mensurável, pois hoje em dia somos ligados exclusivamente a um ponto de vista da razão e não da emoção. 


Para Juliana Souza acredita que a contribuição da experiência estética já é amplamente discutida e o filósofo Kant discute muito essa definição estética.  "Se você não vive de acordo com seu aparato sensorial, você  não conseguirá expressar para os outros " - comenta. Juliana discursando que sem que tenha vivido no campo sensível idealizado por Kant, não dará origem ao insight. A criatividade é a sacada para soluções e problemas cotidianos em que o conhecimento sensível faz com que se atinja os insights, pois todo conhecimento racional passa primeiro pelo campo sensível.


Já Aguilar Selhorst o insight é como conta a biografia de Steven Johnson, onde Charles Darwin antes de criar a teoria da evolução da espécies acumulou anotações e informações de sua pesquisa mundo a fora e durante um banho teve o insight, uma sinapse que seu cérebro fez com toda a informação acumulada gerando a Teoria das Espécies. Passar por todas essas questões e experiências só poderiam ser pensadas e vividas para que o insight acontece-se. " Aconselho procurar o material de Steve Jonhson que sempre falo para todos em sala". Também conta que no iluminismo foi um movimento de grande criatividade justamente porque pessoas associadas em clubes, discutiam os mais variados temas, acumulando e compartilhando conhecimento e criando novos "insights".

Camila Teixeira acredita que a experiência, pesquisa e o conhecimento gerado é o conceito, que gerencia a ideia como um insight. A criatividade é a forma que consegue ser comercial, vendável, tudo está interligado, moda é um produto, e a partir de tudo isso você tem intuições que nada mais são que os insights.



02 Momento


O mediador Haroldo de Paula lança a segunda reflexão do debate: Através do conceito de NIetzche trás o texto: "Uma reflexão sobre a formação da Linguagem" (SIC) em que todo percurso humano parte do nascimento de uma tragédia, já que uma unica sociedade conseguiu viver verdadeiramente a arte (Grécia Antiga)  ela mesmo acabou degradou através da sua racionalidade (Filosofia). 

Cita que para muitos o mercado é um ser mítico idolatrado como no filme de Jim Carrey: Ace Ventura onde ele chega uma tribo desconhecida e acaba sendo idolatrado como um deus. Cada vez  que ele pronuncia: titicaca (risos da platéia) todos se curvam aos seus pés. Nesta analogia há uma dialética que nós designers  somos muito orientados  para o mercado.

 "Deus se tornou o mercado, o mercado é quase uma espécie de oração". ironiza. "Você faz parte do mercado, você estuda para o mercado, você trabalho para o mercado, você consome o mercado, vocês fazem muito mais do que isso".

Seguindo o pressuposto que o design está envolvido com tudo, a evolução do design tem haver com tudo que disse Ellen Kiss . O design é a junção de um todo: design, com arte e inovação. A criatividade o design e inovação com significados entre si, geram e conectam os limites de onde começa e de onde termina a geração de novas tecnologias, exploração de novos produtos, serviços.

Design é unica atividade que integra a criatividade e a inovação e traduz as coisas para o campo tangível, através da criatividade incita uma vontade, uma inquietação , uma intenção formal. integrar melhor essas questões: criatividade, a inovação e design.

Ericson Straub diz que a Ellen Kiss trabalhou numa amplitude com design e inovação. O grande desafio do design é essa coisa de harmonizar e sucumbir uma visão mais altruísta. A questão é harmonizar a profissão com o business e os jobs com mais profundidade no assunto. Critica que muitos falam que a criatividade é a base da inovação, como as agências de publicidade. Qual é o equilíbrio real?-  indagando a plateia.

Para ele existem profissionais buscando um trabalho que tenha valor para as pessoas. O design eleva o design na questão do pensamento, veja que o Design Thinking é algo muito maior que apresentam. A criatividade sozinha é uma sacadinha publicitária, já a inovação é conseguir canalizar toda a informação positivamente para materializar e conseguir fazer algo verdadeiramente transformador. Todas as agências fazem com que os funcionários sejam criativos, mas não adianta tentar instituir uma prática em que não venha da própria corporação. Se eles não mudam sua organização de trabalho, sua forma de agir e pensar, não terão funcionários criativos. Mas as corporações  não mudam, e acham que são criativas - vociferou. 


Para Camila Teixeira é uma questão de ganhar dinheiro. "As grandes magazines não fizeram de fast-fashion?" - indagando a platéia. Eles inovaram em copiar com consistência e forma positiva. O projeto tem que ser consistente e relevante para o mercado, tem que ser de forma ética, a inovação e criatividade vem de ações que respeitem os processos do começo a fim. 

Aguilar diz  que o texto de Ellen Kiss fala que o design é a "cola"da inovação e criatividade. O design passa muito por essa relação do "titicaca". O que é possível para o mercado temos que fazer; para o mercado nós somos uma ferramenta em que não devemos fugir disso. Todo mundo vai ter que fazer dinheiro para conseguir sobreviver.

Para Selhort o principal em inovação no mercado é negócios alternativos  que trazem novas soluções para novos mercados. O Nietzsch diz que para aceitarmos coisas novas é preciso que tenhamos um referencial antigo para que seja aceito. Não adianta inventar algo totalmente fora do senso comum, pois aquilo não tem associação com nada de antigo e portanto não servirá para mim.

Precisamos inovar, mas vamos devagar. As coisa não acontecem na velocidade que gostaríamos. A metodologia aplicada aqui na PUCPR é adequada aos aspectos de mercado e estético na atualidade. Temos que fazer parte do "titicaca" querendo ou não, estamos inseridos nele, não devemos ter medo dele.

Juliana de Souza faz uma interlocução dizendo que gosta do mercado e que está associado a ele e ao consumismo seja tudo de bom ou ruim que não temos (risos). Toda a tecnologia envolvida está na relação de necessidades, e como o design vê estes objetos estão inseridos nessas necessidades de mercado que incita o desejo nas pessoas - sem exageros - em uma grande fonte de inspiração e do desejo.

O mercado não é tão nocivo, e as pessoas que tornam ele assim como uma experiência bizarra que tive do absurdo no Shopping Batel. O luxo, a solidão, e a imensidão te fazem se sentir numa grande incógnita.

Para Straub a experiência do ser como status diferencial vem desde a Revolução Industrial com a burguesia, essa experiencia é aplicada a marca, ela é quem nos diferencia contemporaneamente.

Lá naquele espaço havia a cultura, uma casa histórica da cidade Curitiba foi transferida de lugar escondida em meio a monte de concreto do shopping, não sou contra o empreendimento, mas ao invés da valorizar a história e a cultura da cidade colocando como ponto central da nova arquitetura ela simplesmente foi ignorada - comenta indignado.

Juliana de Souza intervem dizendo que neste caso do shopping nós desenvolvemos produtos que não consumimos em nosso dia-a-dia, mas você tem que conhecer, estar no meio para criar essa vivência, a experiência, e que somos o caminho para aliar a criatividade e design.

Interrompendo o debate nada mais nada menos que o ilustríssimo professor Bini (Fernando Antônio de Fontoura Bini) revoltado com a depreciação da casa onde foi construído no novo shopping da capital do Paraná, foi lisonjeadamente convidado a participar da discussão junto com os outros participantes.

Para Bini o lugar mais seguro para se passear foi o bosque que foi parte removido por causa do shopping. "Foi um crime! A casa não é só a síntese e a pluralidade de nossa cultura, mas destruíu toda a idéia e toda a cultura que tinha essa casa que foi transferida". 

"O que não aprendemos é preservar nossa essência, essa casa em estilo inglês era referência de nossa cidade na Europa e nos Estados Unidos desde o século XIX. " Para ele o pior de tudo foi que a execução da obra teve o consentimento do arquiteto e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner, "Lastimável o que ele fez para inglês ver!!!" - ironizando.




03 Momento 

Haroldo de Paula ínsita o último questionamento. O  que tangência essa conversa  é o insight. O mercado do design é entendido como uma habilidade distinta multicultural sendo um dos indivíduos mais transformadores da sociedade. O flerte com a arte faz um inovador subversivo - " maloqueiro" (risos). 

"Prestem atenção no meu celular"-  (retira o celular do bolso). "Eu vejo aqui, produto, gráfico, digital, interface, moda; embora moda esteja meio demodê" - brincando com a platéia.

"Não tenho outro adjetivo para dizer que esse celular é bem viado" - ( luzes coloridas piscando na lateral do celular) "Esse aparelho me tornou tão constrangedor porque achavam que eu não tinha dinheiro" - referindo-se ao celular que se desmontava sozinho.

Quero chamar atenção de vocês com esse vídeo da domoco:



Esse é o tipo de propaganda que consome cultura. Quais os questionamentos que o design deve fazer para vender um celular de madeira em que seu interior não é nada ecológico?
Para ele onde uma grande parte da população sem educação como vou deixar esse lixo (celular) que eu uso. Como o poder público vai dar conta para resolver essas questões se são responsabilidade das empresas e de seus desenvolvedores?  Um consumo de cultura sem mensurar esse tipo de situação é que degrada nossa sociedade e a forma em que vivemos, porquê não podemos mudar essa realidade? - Questiona Haroldo Osmar de Paula Júnior.

" Criatividade é função do design ou uma metodologia do design? " complementa com uma provocativa.


Juliana de Souza responde que o insight é a forma de como se trabalha, o processo criativo  para que consiga a chegar no insight. A metodologia é a leitura para chegar no Smart Insight. O design só é criativo se tiver boas referências para criar com base solida os conceitos inovadores.

Ela ainda comenta que temos duas divisões de insights, no qual ela referenciou como " Simulacrum" e "Megatrends". No Simulacrum é o cenário verossímil onde se cria uma possibilidade e cenário, tentando vivenciar as experiências através de personas, simulando situações e problemas. Já no Megatrends - é o cenário futuro onde criar a inovação  esta um passo a frente do que está acontecendo, atravessando o conhecimento o que ela chama de "cross Knowledge". O design caminha pela estação de estar a frente do seu tempo. sua observação é que devemos ter um olhar curioso - complementa.

"Porque criar sempre o mesmo?" - Indagando a plateia de Souza. O design é o pensamento inovador, em palestras sempre falam mais do mesmo, temos que quebrar os paradigmas mas como vamos quebrar os paradigmas utilizando sempre das mesmas fontes? 

Criticou porque não é melhor aproveitado o Fulldome ( refere-se a ambiente de projeção de vídeo baseado em cúpula - estrutura existente na PUCPR) ao invés de ficar meramente colocando projeções de Power Point lá naquele espaço, isso é muito chato. Temos que inovar, aproveitar melhor os recursos, desenvolver novas experiências, temos que aproveitar mais em criar novas simulações e tendências.

Para Ericson Straub o designer é responsável design. " Todo mundo pode ser criativo. A grande contribuição do design é fazer melhor em áreas específicas. O design não cria sozinho. Nossa contribuição é conectar as coisas. Nós somos o maestro traduzindo e conduzindo da melhor forma para sair um belo concerto. Nossa qualidade é isso! Não é uma atividade isolada!".

Para Fernando Bini o designer é um criador de desafios. Cita que a ideia renascentista,  está no ato de cartase ( utilizada em diversos contextos como exemplo: a tragédia, medicina, psicanalise, significando uma "purificação", "evacuação" ou "purgação", ou ainda segundo Aristóteles uma purificação da alma através de uma descarga emocional provocada por um drama) no sentido Aristotélico em que o homem é quem conquista a ideia do prazer.

"O insight para mim é o momento. A curiosidade, a experimentação como dizia Julius Tellé (SIC) - Criar é existir -". 

concordando com o posicionamento de Ericson Straub que também já foi seu aluno, diz não é próprio do design a criatividade, e sim é próprio do homem, é uma coisa inata do ser humano.

Para Camila Teixeira a Channel também nunca criou nada sozinha. Tinha bons amigos e uma bagagem de pessoal e cultura no qual observou tendências, antecipando movimentos sociais e culturais. Hoje ninguém cria nada sozinho, é preciso observar as tendências e é preciso absorver o trabalho para fazer as coisas em conjunto.

Aguilar Selhort argumenta que a criatividade é inerente ao ser humano. E não do design. A metodologia aplicada leva a essa solução de compreensão voltada ao ser humano. " Se você se colocar no lugar dos outros, você se enquadra em diversas formas: na ética, na filosofia...; tem essa grande salada onde você tem que entender pessoas. Se não entendê-las não vai fazer nada".

Ericson diz que a criatividade é um movimento. As empresas querem pessoas criativas, mas elas são estáticas. O Brasil é conhecido por sua multiculturalidade, e as pessoas de fora querem ver isso no Brasil, esse é um mercado oportuno inovador para nós aproveitarmos o que temos de bom e com essa multiculturalidade (miscigenação).

" Eu faço coisa diferente todo dia. Eu faço pela metodologia e resolvo todo dia."  - diz Aguilar Selhort Júnior. Tem pessoas que são ótimas naquilo que fazem, conheci pessoas que são experts em fusível, são engenheiros excelentes e renomados no mercado e estão lá a anos, mas acho que nós designers somos inquietos. " eu não aguentaria fazer a mesma coisa, todo dia".  - complementa. Por que não temos o trabalho segregado como outras profissões, onde cada um faz sua função, por isso as vezes é difícil os outros e até o mercado entender o que fazemos.

04 Momento Final

Haroldo complementa que o design engloba áreas que nenhuma outra profissão concilia. Em toda história da humanidade o que sempre prevaleceu foi a filosofia, depois a religião, depois a ciência neste ciclo. Para ele talvez seja a hora de inserir a arte como pressuposto para humanidade através do design.

Os pontos de atrito entre a concepção e produção, até que pontos dependemos do potencial lucrativo de uma boa ideia? 

Para Selhort tudo depende de como você enxerga o lucro.  Você tem acreditar no que faz. No design as vezes 99% do lucro gerado é para os outros. O negócio (cliente) tem que gerar negócio (lucro), e você tem que sair da caverna (Mito da Caverna de Platão). O design precisa travar entre o trabalho com lucro.

Já para Straub o ganhar dinheiro não é feio. Cita até a nova filosofia do Papa Francisco que dinheiro é bom mas não devemos fazer e trabalhar apenas pelo dinheiro. O dinheiro não é deus. Para ele o prazer esta em encontrar um objetivo. O dinheiro não é a medida para demonstrar que você tem mais sucesso ou felicidade. " Gosto muito da filosofia do trabalho do designer do Stefan Sagmeister. A cada sete anos ele fica um ano inteiro sem trabalhar, viajando pelo mundo só absorvendo outras culturas".  E que tudo depende do perfil de trabalho que você quer desenvolver.

"Por exemplo, em Curitiba e Joinville são regiões muito mais industriais, já em São Paulo e Rio de Janeiro está envolvido muito mais a questão cultural." Citando que isso representa o perfil das empresas, e você não tem a liberdade então para fazer o que quiser. Você deve seguir a lógica de mercado, mas precisa de uma válvula de escape senão você não terá liberdade para realizar qualquer coisa.

Para Juliana ironizando a platéia diz que odeia o cliente. Apesar que precisa dele para se manter. Ela acredita que quando alguém te pede uma logo ela já vai fazendo logo de graça. " Eu prefiro que o cliente não existisse mesmo (risos da platéia), existem filósofos com novas formas de trabalho não ligados ao dinheiro; ainda vivemos a cultura de que o trabalho bom é o trabalho bem remunerado." Exemplificando que existem novas formas de trabalho com mais qualidade de vida.

" Eu não trabalho de graça, não!" Aguilar responde com certo sarcasmo.

Para Camila você deve trazer uma nova forma de trabalho e fazer aquilo que acredita.

Aguilar retruca que o mercado não impõem nada, a gente (pessoas) se deixam levar por aquilo que acreditam que seja o mercado. Cita exemplos na Megabox Design no qual é sócio-proprietário em que grandes empresas vem impor a forma de como devem conduzir o trabalho e ele faz o inverso demonstra como deve ser feito para chegar no resultado almejado.
" Muitos compram a ideia, o ponto de vista nosso é mostrar o caminho adequado. Além de ganhar dinheiro, nós temos que mostrar o caminho a eles, eles também não sabem direito o que é seu negócio, cabe a nós mostrar o melhor caminho a seguir, por isso eles estão lá fora todo dia brigando entre si".

Ericson comenta que o design tem haver também com o perfil de cada cliente. Num país onde não se tem educação de base, não tem ligação com cultura e arte, não faz parte do perfil, do tipo de seus clientes. " Você tem que selecionar  o tipo de cliente. Tem o cliente pequeno que entra e entende o valor que podemos agregar com o design, mas não tenho mais paciência para explicar a cada cliente o que é design e o que fazemos. As vezes esse cliente pequeno é que dá mais valor ao seu trabalho e isso importa, realizar com sucesso sua profissão, abrindo portas, as vezes um cliente pequeno não quer fazer um negócio com você porque na sua cartela de portfólio de clientes estão grandes empresas, e acham que vamos cobrar um absurdo e temos que apenas demonstrar que cobramos o valor justo, nunca além da sua condição financeira ou realidade.

"Eles têm mais propriedade do que eu" - Fernando Bini se justificando que deixou o lado prático em 1975 para dedicar-se somente pelo lado teórico. Bini descreve a sociedade contemporânea como um lugar que não tem mais espaço para o marketing. Dentro das suas necessidades na sua formação, sua área teórica tem uma visão de mercado também  em que a arte une a possibilidade de sobreviver com seu próprio trabalho - citando Van Gogh. O trabalho poético em que o cliente se assusta é por que não é palatável e tangível as clientes. O trabalho é uma visão ética e poética, pois segundo Bini não há visão sem ter a preocupação centrada no ser humano.

Haroldo de Paula faz o encerramento fazendo um questionamento: Quem são vocês?
Disse que as perguntas foram pertinentes e indaga quem é o designer? 

" Quando imagino o cara, o designer na pré-escola em que a professora dá uma folha desenhada um pato para colorir. O designer é aquele cara que pinta o pato de verde, vermelho e vem a professora e mata a criatividade no germe: ' Não tolinho! O pato não é verde, o pato é amarelinho com o bico laranja'. Porque a sociedade ignora tanto a liberdade criativa em detrimento de um esteriótipo que tudo deve ser igual? 






Um espaço aberto para perguntas ao final do debate

Pergunta: Vi que na Suécia o governo tomou a atitude de mudar uma cidade inteira. Eles uniram o design com arquitetura e engenharia num projeto governamental para mobilizar as pessoas a saírem do local e conseguiram utilizar as idéias dos moradores para criar a nova cidade idealizada por eles. Porque o governo não no Brasil não investe mais em políticas públicas para a área de design?

Ericson Straub responde que ísso é feito aqui. "O governo pega 2000 pessoas tira elas de um lugar e joga em outro, e elas acabam voltando." Essa ideia deu certo porque colocou todos como parte do processo de criação, como eles vão querer sua cidade daqui a 30 anos, fazer participar do processo conjunto é fácil pois estão inseridos numa sociedade sueca. O processo deles permite isso. Aguentar as idéias e fazer esse processo fantástico. O designer inserido como co-criação.

Pergunta: Estamos falando do design e criatividade, dentro das empresas como funciona a questão de criar? E a jornada de trabalho que muitas vezes atravessa madrugadas. Como podemos nos posicionar perante a isso?

Aguilar Selhorst responde que pode ser de uma forma crua dele falar mas o que determina o trabalho em uma empresa é o planejamento. " Na Megabox ninguém trabalha depois das 18h." - frisando sua posição - eu sei que todo mundo tem sua vida particular para resolver, os problema da empresa podem ser resolvidos no outro dia. " Quando precisa de mais gente para o trabalho eu contrato mais gente para compensar o serviço. É simples!".








Deixo os funcionários bem a vontade, as vezes as respostas para um projeto pode vir de madrugada, a imersão vem e se tem os insights. As pessoas tem outras prioridades na vida. Tem gente trabalhando como estagiário e o salário eu sei é ruim pra caramba! Mas por enquanto é o que eu posso pagar. Quando  quero alguém criativo tenho que trabalhar em conjunto, por isso lá na Megabox trabalha todo mundo junto, não tem espaço reservado para nada, nem sala de reunião, todo mundo trata da vida pessoal e profissional em um único espaço para resolver seus problemas. Essa fórmula não fui eu que inventei, copiei essa proposta do Steve Jonhson; é uma forma de trabalho mais honesta, sendo explorado de uma forma melhor.

Para Camila Teixeira exemplifica o que o Morongo dono da Mormaii em Garopaba em Santa Catarina faz. "Lá o pessoal de criação não tem horário fixo, tem momentos que eles largam o serviço e vão surfar" - O ócio criativo - Isso para algumas empresas as vezes funciona. O trabalho é um período uma nova maneira que deve ser encontrada para trazer novas ideias.

Ericson Straub diz que saber como você vende suas idéias e como as apresenta terá maior relevância no seu trabalho. Temos que atender o cliente com uma ideia  Tem dinheiro sobrando para algumas áreas, mas tem que saber vender para as pessoas certas. Não tenho mais paciência em explicar  o que é design, busco pessoas que já tenham noção, hoje meu maior problema na empresa é a produção e não a concepção. Se ela for bem fundamentada vai descobrir o ponto que pode ser revisto. Hoje vivemos em uma sociedade que quer resultados essa métrica que tudo pode ser medido. Temos vários modelos de trabalho que vem mudando constantemente, basta apenas você traçar o seu caminho.

Aguilar:" A todos nós sedentos dessa discussão poderíamos criar um fórum, entre alunos, professores, outras pessoas que não seja pelo Eureka (Sistema da PUCPR)."

Haroldo de Paula finaliza enfatizando que deve ser feita alguma coisa pelos alunos, estude mais, aprenda mais, quando você enfrentar o mercado você terá que enfrentar na verdade a vida. Isso é uma função fundamental do CAD (Centro Acadêmico de Design) sobre um fórum um lugar para compartilhar ideias e opiniões, precisamos politizar e devemos nos integrar mais nesses assuntos.










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