FEEL THE FUTURE E ELLEN KISS DA RVD RESEARCH - CHARNEIRA NÓS COM ELES /NÓS SEM ELES - 2011



Começou hoje (03/10/2011) a Charneira 2011 - Semana Acadêmica de Desenho Industrial da PUC-PR, com a debate Pensando Design com os convidados: Kleber da  Puchsaki da Feel the Future e Ellen Kiss da RVD Research. 


Para Kleber Puchaski inovar não é preciso, design é preciso. No mundo atual inovar é uma realidade que está ligado diretamente ao mercado, ou você inova ou você está fora. O design ainda não é visto como uma ferramenta para ajudar nessa inovação, por isso a cultura de design é preciso nas organizações. Citou o príncipe Albert como motriz para a  Revolução Industrial  mostrando que sua invenção que tirou o homem da manufatura para a era das máquinas. São pessoas inovadoras como essas e tantas outras como Diter Rams (Braun) em que: Menos é mais, tornaram se o padrão da sociedade atual. O design  está se voltando aos serviços e devemos refletir no Pensar Design.  O design não é mais elemento de diferenciação é pré-requisito para qualquer organização, os pensamentos de Bauhaus que a forma segue a função, não fazem mais tanto sentido, e que o Design Thinking (solucionador de problemas) está mais evidente no momento. Para Puchaski  o design está divido em 4 áreas: 1. Colaborativo, 2. Experimental (errar, errar, errar), 3. Integrativo e 4. Interpretativo. "Pra mim essa é a essência do processo de inovação." - complementa ele.  
Ainda fala de  Tim Braun da Ideo discordando do seu ponto de vista  dizendo que o design não é uma disciplina, para ele é um processo holístico de soluções e oportunidades. 

Kleber ainda comenta sobre algumas vertentes do design:



O Design Inovation está focado na interação de três áreas: Processos, Tecnologia, Valores Humanos. O modelo de negócios se não tiver interado com essas áreas  não será verdadeiramente um modelo de negócios. O Design Dedutivo é a lógica do que deve ser um produto, a sua semiologia aparente, seu simbolismo-representamen. O Design Indutivo vem basicamente de pesquisas quantitativas, a lógica do que pode ser ou deve ser considerado. O Design Abdutivo ele chama de 'a  lógica', isso é um modelo negociador.

Ainda falando um pouco do designer, afirma que o designer  tem que atingir as abrangências segundo, Roger Martin - Rotman School of Management - University of Toronto. Ele deve estar focado no: Posicionamento, Ferramentas e Experiência. 

Aproveitando o gancho para fazer um merchandising da sua empresa,  a Feel the Future, descreve basicamente como é a metodologia adotada na empresa. Primeiro: Desafiar dogmas, segundo: Desconstruir idéias, terceiro: Associações inusitadas e finalmente o resultado que ele chama de 'Design Thinking'.A Feel the Future não apenas oferece consultoria mas ela está engajada no discovery - connect - construction, organizadas em áreas setorizadas que ele denomina: thinking - colaboration - doing - learning. 

 "Aprendi aqui nesta casa (PUC-PR) e faço até hoje(risos)". - citação feita quando descreveu o processo doing (fazer) - neste caso referindo-se o gosto pelo rafear (rough), o desenho é uma habilidade intrisica e necessária para a profissão.

Descreveu que existem diferenças entre a invenção (eureka), a evolução (construção) e a inovação (pensar).
Indagou a platéia se estão preparados para o futuro? Qual é o seu repertório? Citando as suas referências   que considera modelos de trajetórias inovadoras que constroem o pensamento do futuro como: Luigi Colani, The Jetsons, Mittchel Joachim, empresa Aptera. Citou ainda o artigo recente da Revista Times que em 2045 nos tornaremos imortais, e como será essa nova relação do design que chamam de SINGULARIDADE, quem vai desenhar esse futuro? E as interações? Quem desenhará tudo  isso senão vocês! 

Para finalizar colocou uma mensagem sobre sonhos e descreveu: "É impossível você olhar o futuro se você não sonhar."-Kleber Puchaski. A pressão do design é o buscar o novo, prever o novo. O design é um processo que se você não vende isso as pessoas elas não compram - complementando a mensagem final.



Já Ellen Kiss da PUC-RS descreve sua visão do "Pensar Design" como o design acredita na integração com outras áreas. "Eu posso falar isso por várias horas" - afirma Ellen. Acreditando na convergência dessa integração dentro de três esferas: Academia - Prática - Institucional. A conscientização do governo sobre o que é design e sua importância para as empresas é muito significante. Hoje vivemos quase uma 'revolução industrial' da sociedade contemporânea, pois se antes o ator eram as máquinas hoje os atores são fatores sociais. Faz um reflexão questionando sobre os bens materiais e a significância de sucesso. Signos acabam tornando-se  mercadoria como um elemento de integração e interação que foram substituídos por ruídos que nos informam a nossa cultura que cultua o efêmero na lógica que ela é reordenada apenas pelo novo. 

Questionamento: O que nos trás um significado efetivo?
Para Ellen Kiss, a desmistificação da propriedade é justamente porque os produtos estão cada vez menores e estão se transferindo para os serviços, trazendo muito know-how do design para essas áreas. A economia hoje é pautada na experiência, e onde ficam essas experiências? São questões como a marca que figura como mercadoria.  em um ato de significação  onde me sinto um esportista usando um tênis Nike sem mesmo nunca ter praticado efetivamente esporte algum.  São elementos que transcendem passando do elemento material indo para o imaterial (tranfigurável).

Citando Gilles Lipovetsky, filósofo das ciências sociais, fala da situação atual que somos hiperconsumistas, emocionais, autênticos, imediatistas. Haverá revolução do design pensando dentro de um contexto muito maior  analisando a relevância de antecipar as mudanças efetivas. Para ela desenho é um modelo de consequência mental, que conecta a outras áreas que são projetadas e tornam-se relevantes. Quando consegue inserir um significado, assim você será ouvido, mostrando as suas potencialidades. Mas como? A técnica que nos faz enxergar o que faz identificar e enxergar o que faz sentido as pessoas - complementa. 

" Tem uma frase bacana que vi em uma das lojas da Apple quando visitei a Europa um tempo atrás: Posso ficar durante horas falando sobre isso! - sensacional "- Ellen Kiss.

O design precisa identificar novos drivers (direções), e ser visto como um modelo. O design é repensar o problema explorando de forma mais ampla e orgânica, as vezes faz de forma míope sobre a análise de soluções de problemas, podendo utilizar  inúmeras ferramentas distintas para chegar na informação certa. Comenta em quatro áreas dessa atuação metodológica: 1. Descobrir: Investigar  2. Analisar: Aprender a singularidade 3. Idealização: Construção, 4. Entrega(Delivery): Possibilidade e solução do problema.



Algumas discussões durante o debate: 

O mundo está se transformando notadamente em uma grande classe emergente. A classe C não quer ser estigmatizada com signos como classe ela quer valores que demonstrem sua autenticidade, sem rotulações.

A carência de argumentação do designer também tem uma grande relevância de um projeto. Pois não adianta pensar e projetar a idéia se você não tem raciocínio que argumente com solidez que sua proposta é viável. "A argumentação de idéias é mais importante que o produto "- completa Kleber Puchaski.


Hoje existe um excelente momento para o mercado de design, se as transnacionais e multinacionais já sabem o valor do design, agora eles buscam criar produtos com o design local, para isso precisamos criar uma identidade nacional, nós mesmos projetando nossos produtos para nossa sociedade, criando características de um Design Brasileiro.


Outra questão levantada que não devemos mais discutir o termo design, afinal não interessa se o termo é mal empregado ou não. Afinal a diferenciações claras de quem atua como um designer. Se existe design de sobrancelha, Tatto design, ou Design Hair não importa. Kleber citou sua experiência em Londres onde viveu algum tempo e descobriu um Designer Hair onde sua mulher costumava ir cortar o cabelo. Lá descobriu que de um salão aparentemente comum, o sujeito aplicava uma metodologia curiosa. Ele atuava como um consultor psicólogo ouvindo suas clientes mais ou menos durante 1h30 e em 10 minutos resolvia o problema. A lógica está no pensar design, ele entende sua cliente, sua vida, seu aspecto emocional durante aquele momento, e simplesmente aumenta sua auto-estima valorizando seus cabelos. Isso não deixa de ser design, pois ele aplica uma metodologia, com o pensamento de design.

O fato de o designer não dominar o vocabulário do bussiness  e da engenharia acaba criando conflitos e falta de compreensão de toda sua estrutura. O design ao contrário deve ser levado a toda a estrutura organizacional, comenta Ellen Kiss. Existe um grande interesse pela área de design por pessoas fora deste ramo, trazendo assuntos diversificados. É uma área próspera que ainda ninguém entende direito - completa.


Uma grande preocupação no futuro de alguns esudantes na platéia são realmente a facilidade de os softwares assistidos (3D) e as impressoras tridimensionais no futuro tomarem espaço do design. No futuro uma criança poderá desenhar e mandar modelar tridimensionalmente seu brinquedo. Kleber ironizou dizendo: Mudem de profissão enquanto é tempo!!! Não é só a ferramenta que vai resolver o problema, hoje existem muitos jovens que dominam software, manipulação de imagens fazem trabalho de ilustração até melhores que os designers mas não tem o pensamento de design. Essa é a grande diferença. Não são designers por mais que se achem.


Para finalizar Ellen Kiss descreve o design como uma atividade que não é estática, e lida constante  com a evolução e nós saberemos acompanhar essa evolução. 


Comentário: 


As vezes os profissionais do design estão se voltando mais a administração e marketing que efetivamente ao próprio design e no futuro esta distinção não ficará mais tão evidente, não saberemos se a profissão no futuro acabará virando uma grande escola de negócios (business), ou  a administração virará um grande studio de designers.
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