TEC DESIGN - MESA REDONDA: PRA QUEM E PRA QUÊ? CHARNEIRA 2011




Nesta terça-feira (04/10/2011) no segundo dia de Charneira 2011 prestigiamos a palestra da Tec Design.


David Santos abriu a palestra falando sobre a interdisciplinaridade do design a introdução a metodologia que eles desenvolveram utilizando o mesmo processo para diferentes projetos e áreas.

Os requisitos desejáveis para qualquer projeto são: Inovação, Valor percebido e Satisfação do Cliente. Outros requisitos são a funcionalidade e ergonomia que devem estar intrinsico a qualquer produto. Outro item importante na atualidade é a sustentabilidade  cada vez mais frequente  e qual o valor que o cliente entende nisso - comenta.

"Valor percebido é isso que você precisa agregar e que o cliente perceba rapidamente sendo um dos itens mais importantes do projeto" - Davi Santos

Para ele não adianta criar um projeto de sucesso se o cliente não entende o valor real, ou percebido com a melhoria no produto, muito provavel que ele fracassará, principalmente porque o cliente não entende muito bem atributos intangíveis. Para atingir a Satisfação do Cliente os produtos devem ser feitos para as pessoas, a humanização dos produtos é um aspecto fundamental, pois estabelece uma interface e interação com elas.


Davi Santos ainda comenta que para eles  o design é um processo de desenvolvimento de bens e serviços que resulta produtos diferenciados pelo seu caráter inovador. Para ele design é processo: " A gente tem tendência que design é só sentar e criar" - conhecer o processo, materiais, formas de produção, polímeros, texturas, cores, marketing, market-share, analise setorial, business com essas ferramentas você chega ao resultado. "O nosso design, (tec design) tem que ser visto com um processo" - complementa Flávio Leonel.

Metodologia

Quando eu era jovem achava que resolveria todos os problemas do mundo com design, mas na realidade não é bem assim - Davi Santos. Para ter resultados você precisa dessa interdisciplinaridade com outras áreas, a engenharia  a gente ve como um aliado temos um departamento de engenharia que adquirimos expertise durante 10 anos até realmente aprendermos. A produção também é muito importante, quem executará e produzirá de fato o produto? Como será feito? - São questões que devem ser relevantes para um bom projeto. Outro fator é determinar para o cliente qual "P" (4 P's) que deverá atingir. O comercial faz também parte integrante desse processo, pois ele tem contato direto com o consumidor, ele também tem que gostar do produto que vai vender, para transmitir todos os aspectos do produto para o consumidor.

Filosofia e Processo

A filosofia da Tec Design está pautada em três quisitos: A tecnologia, a inovação e o design. O processo para o desenvolvimento de produtos está ligado a habilidades de desenho rápido- " Não precisa ser um exímio desenhista, fazer super rendering a mão como nos anos 80, mas o design tem que saber expressar sua idéia através do desenho. Como é que abre, como é que vira, como é que solta. Basta apenas saber materializar a idéia" - Davi Santos.

O processo de desenvolvimento nosso é bem simples se comparado a outras empresas. Fazemos basicamente o conhecimento da empresa e mercado, o conceito do produto, e gerar alternativas. A gente trabalha geralmente com três alternativas e a proposta que mais se encaixa no perfil do projeto é implementada. O processo não é feito assim de um vez só , ele é compartilhado como se fosse workshops dentro da empresa, quais são os mais adequados, brainstorms como forma de melhorar nosso processo contínuo, e revemos e reescrevemos o briefing quando preciso gerando insights em cada projeto. Ele ainda comenta que caminha nos extremos para criar a viabilidade de produtos.

Desenvolvimento

O desenvolvimento do projeto é baseado  na Engenharia pela tecnologia e processos, o Marketing na identificação do mercado e oportunidades e o Design é responsável pela forma e função do produto. A forma não é um processo isolado ela ocorre concomitantemente com o Ambiente (tecnologia, politica,) com os Processos (ergonomia, gestalt) com Materiais (engenharia, ciência) e a Concorrência (mercado, diferencial). A forma sempre vem da vários fatores e sempre existe uma referência para iniciar, nada é novo, não existe criação sem uma referência. O projeto é um trabalho árduo pois 20% você irá conceber o projeto o restante é pesquisa, desenvolvimento, análise, setorial,  concorrentes, mercado, marketing, apresentação, mas temos que trabalhar dentro desse processo porque é assim que se desenvolve produtos. 

Davi dos Santos, afirma que dos 90% dos projetos que a Tec Design desenvolveu  estes estão presentes no mercado nacional e internacional.  O escritório nasceu na área de Metal Mecânica, com toda sua representatividade do mercado, com o tempo também passamos a desenvolver projetos gráficos e identidade visual.

Processo Determinado

"Nós entregamos o pacote completo ao cliente, fazemos engenharia, o marketing, procurando integrar as áreas. A gente não é engenheiro mas fazemos engenharia de plástico muito bem. O grupo foi ganhando confiança, procurando pessoas para integrar a equipe, e hoje temos know how em plástico melhor que muitas 
empresas de engenharia." - Davi dos Santos respondendo as questões da platéia.

Para finalizar descreve que o design tem que se preocupar com o que vai executar. Você tem que ter o domínio do que vai fazer, tem que saber para quem vai vender, para quem vai produzir. Enfim a maioria das empresas principalmente as pequenas e médias empresas não sabem o que querem como produto e não entendem a atividade do design, muitas vezes temos  que refazer o briefing, essa sensibilidade de entender os clientes e seus concorrentes é importante para conquistarmos a sua fidelização. Se um projeto

MESA REDONDA: PRA QUEM E PRA QUÊ

Nesta mesa redonda realizado as 21h00 tivemos a presença de Claudio Thiele como mediador, o ex-aluno da PUC-PR (Ivan ? ) e o professor Ivens Fontoura como os debatedores dessa discussão.


Para Ivan, o conceito de design no Brasil tenta colocar em xeque a questão do design. Já para Ivens Fontura, faz uma analógia com os táxis de Curitiba, sobre o problema que enfrenta o design em bater de frente com outras áreas. O inimigo do design não é o design, quantos arquitetos, engenheiros, publicitários, marketeiros querem a regulamentação do design? Para Ivens o mais bizarro nesta história onde ainda a profissão não é reconhecida no Brasil, é o fato de um metereologista poder fazer um curso de engenharia da segurança, onde ele  atualmente leciona como professor, enquanto na condição de eu como aluno não pode fazer o curso de engenharia da segurança justamente porque é um designer e a profissão não é reconhecida. O problema está nos direitos e deveres  está na responsabilidade social e da profissão. Hoje nenhum designer pode se aposentar porque oficialmente a profissão não existe. Será que nós e Universidade não estamos enganando nossos alunos? Ou seja, de fato ela existe, mas de direito não. Em Brasília se fala em design como fomento na Câmara de  Indústria e Comércio, já na educação chama de Desenho Industrial, afinal nem eles (governo) tem uma definição clara do termo, como poderemos depender do Estado para melhorar nossa condição? O que precisamos saber de fato são os nossos direitos e deveres.

Ivan interpola a locução citando o filósofo frânces Jean Jacques Rosseau, em seu livro: Contrato Social,  constrói o modelo da democracia, ele  é um modelo mental, feito pela construção política e histórica. Quando se fala em democracia há um problema nesse pensamento que você não consegue  mais absorver o que é real. A democracia é um modelo onde uns vigiam  outros, perdendo a noção do pecado, é um  modelo ingênuo que alguma coisa escrita ( leis e deveres) vai lhe dar algum direito? Pegue três expoentes da humanidade Karl Max ( com o direito privado), Sigmund Freud ( como o ser humano funciona ) na sua lógica racional e vem Friedrich Nietzsche em seu livro: O Nascimento da Tragédia, e realiza um suicídio da razão, o Estado é uma razão é uma construção um modelo mental, afinal as divisões políticas, um bandeira, e o povo que vivem naquele espaço é chamado de república constituem signos abstratos.O Estado de direito também, quando você ganha voz ela tem um tendência ao brega: todo mundo tem voz, todos tem direito, todos querem ser ouvidos, mas na realidade você não tem! - indaga Ivan com a platéia . Existem micreiros que mandam muito melhor que design e não são formados em design. Ele tem um método uma técnica educada através do computador, ele não fica só nisso, o cara compensa correndo atrás de livros, revistas, tutoriais, vai atrás para construir seu repertório. Ele não pode ser jogado fora desta realidade! Se regularizarmos o que vai  acontecer com esses cara, vamos simplesmente apagá-los da história? - Contestando a situação no qual querem fazer a regularização da profissão nos moldes atuais. 


Outro problema levantando por Ivan é a falta de identidade do designer - "Rafael Cardoso - alguém conhece?" - indagando novamente a platéia. 


Cláudio Thiele faz uma reflexão do design: " Design não é software é um pensamento é um processo." Para ele o  pensamento está sempre uma evolução assim como o designer, o designer se sobressai porque lida com essas evoluções mudando sua mentalidade o tempo todo.

 Já Ivens Fontoura questiona a interpolação  de Ivan sobre o pensamento de Rosseau, sendo ele um modelo mais anarquista sem ideologias políticas. " A regulamentação  eu não disse que é boa (ironia),  mas queremos igualdade  de condições. É admissível ter direitos e parte não ter? " - discute Ivens Fontoura sobre o problema da não regulamentação. Para ele o lobby de outras áreas é muito maior por isso não temos força para encarar o que ele definiu como: 'cachorro grande' . " Não podemos cutucar a onça com vara curta, ou melhor iremos cutucar a onça sem vara mesmo" - fazendo um sarcasmo da situação.

Outro problema discutido é a divisão da Universidade em Escolas. "A idéia da Universidade não é gerarmos conhecimentos juntos? Construindo um modelo onde possamos discutir qualquer assunto, qualquer proposta? Agora aprovaram a idéia de dividir os cursos em Escolas nós iremos nos unir com a arquitetura formando a Escola de Arquitetura de Design, seremos separados das exatas, a Engenharia com seu centro politécnico vai para um canto, enquanto a arte vai para outro lado, onde ficará a arte no design? nos distanciaremos ainda mais das engenharias, isso é lastimável. Aristóteles nunca defendeu a divisão do conhecimento é isso que está acontecendo agora.

Nós não podemos ignorar os fatos. Nos precisamos de qualidade, quanto ao micreiro eu não gosto do termo, eu aprendo com o micreiro, eu aprendo com o pedreiro, com o servente, com eletricista, com mecânico eu aprendo com as pessoas. Eu aprendo com o outro, eu aprendo com vocês isso que é importante!

Para Ivan o problema da regularização surge desde sua origem, pois importamos um modelo europeu que não atende e não entende nossa realidade. A Revolução Industrial na Europa aconteceu no século XVIII, somente no século XX surge a primeira escola de design considerada Bauhaus como a pioneira. O Brasil começou com uma industrialização tardia na década de 30 e teve seu auge na Era Vargas na década de 50. Não temos um parque industrial moderno, para atender o consumidor, e a demanda de designers no país. O design surgiu no Brasil pela ESDI em 1962, como uma ferramenta racional considerando design como ciência padronizando um modelo baseado nas ciências exatas.

Nosso design é prolífico não tem uma definição clara do que nos separa da arte, do artesanato, da manufatura  e da indústria como ocorreu na Europa. Outro erro é que no Brasil se mistificou que o artista é aquele que domina a técnica, se você desenha um pouco melhor que todo mundo você é considerado um artista. Se propormos o design como área cientifica nós iremos ter problemas em apagar da nossa história artistas, e acabaremos matando a história brasileira. O problema é que a modernidade está sempre mudando e quando muda ela sempre gera mais novos problemas, a gente sempre trabalha com construções (mentais) que a gente acha que vai salvar nossas vidas, mas não vai. A modernidade tirou a noção de pecado, você acaba fazendo 'merda' mesmo sabendo que pelo direito aquilo é errado. O Estado só sobrevive se um controlar o outro, mas todos tentam burlar as regras - complementa Ivan. O Estado não vai salvar sua vida, pela maldita lei da obsolescência, quando propor algo novo ele já será velho.


Para Ivens Fontoura o mais importante é a renovação. Descobrir objetos icônicos do nosso design (brasileiro). Nós precisamos renovar se já nasceu uma regulamentação está na hora de revisar, pois ela já nasceu obsoleta. 


Ivan comenta que quando você entra no mercado de trabalho você faz o que tem que ser feito e pronto. Muitas vezes você vai recusar um projeto por falta de direitos de uma regulamentação? Seu cliente não está nem ai para isso, ele quer ver resultado. Ninguém precisa de um direcionamento do governo, muito menos o mercado para regular se o que o design faz e design ou não. O designer bom se vira, corre atrás, mas não espera que a lei vai ajudar sua vida.


Finalizando com as falas de Haroldo de Paula: " Designer é um bicho que precisa se unir." Precisamos de pessoas que precisam de inovação para criar um novo modelo de mundo que tem um fleér . "Eu já falei se não regularizarem vou ainda abrir um putero chamado Xoxotas Design" (risos) - sendo sarcástico.

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