DESIGN E INOVAÇÃO COM KLEBER PUCHASKI - CHARNEIRA 2013

Na Charneira Insight 2013 começamos  a palestra de Design e Inovação: Como a sociedade esta mudando a forma que desenhamos, com Kleber Puchaski






Kleber agradeceu o convite e disse: "Sempre que me chamarem eu vou". Descreveu que se formou na PUCPR em projeto do produto e gosta de contar o que é seu entendimento do que é o design na PUCPR desde 1997.

"Meu primeiro projeto que considero profissional foi o concept car Moya".  Criar um veículo antecipando questões como mobilidade e segurança durante quatro meses para o projeto de conclusão, nós buscávamos a perfeição, queria fazer ele bem feito. Também comentou que desenvolveu em conjunto com outros dois designers entre eles Flávio Leonel da TecDesign. 


Contando sobre sua vida profissional disse em meados de 1997 foi trabalhar no HSBC bem na transição da marca Bamerindus para o HSBC. Defendendo seu ponto de vista disse também que sempre defendeu o design como design e ponto. Para ele existem dois designs. O bom ou o ruim. "No HSBC aprendi o que era business, projeto de gestão entre outras coisas que compõem a plenitude da função".

Sempre inserido com as questões do design a ideia sempre foi fomentar o design em uma época que ninguém tinha noção do que era, nem na PUCPR existia o CAD (Centro Acadêmico de Design), então eu e mais alguns colegas criamos o evento chamado Purungo.
É um movimento de trocas a partir de cada formação acadêmica de várias instituições compartilhando conhecimento entre os designers. 

"O principal é o que você deseja ser mais do que apenas um diploma" - Kleber Puchaski.

No primeiro case apresentado exemplifica como no HSBC tentou influenciar com o design no business e agregar valor durante os cinco anos que trabalhou para a corporação.

Também expôs sua trajetória profissional começando pelo fato de ter ficado um ano parado, decidindo então resolver estudar a fundo em brand. "Esse era o meu desejo em 2008; fui para Brunnel (University) para estudar estratégias de marcas e design diferente do Brasil lá tive vários desafios diferentes com resultados e modelos interessantes".

Disse por isso acabou gostando de estudar de novo e nunca mais parou, acabou indo parar na Royal College of Art, em Londres. " Não queria desenhar carro, mas uma indústria madura como a automobilística faz coisas ainda com os mesmos princípios." Referindo-se que é sempre a mesma arquitetura base dos primeiros modelos Ford T, e foram mais quatro anos para se formar em PhD  com uma teoria voltada ainda pelo peso acadêmico e projeto de brand e styling. "Lá (Royal College) tem todas as matérias de design que você imaginar, design service, design typographic, design styling...em uma escola que fez 175 anos criada no final da Revolução Industrial dizendo que desde aquela época já existia a necessidade de juntar a arte com ciências e tecnologia.

Para ele tinha que sair de lá com uma teoria inovadora. discutindo como as pessoas percebem o design-brand e como se relacionam e percebem as marcas e produtos. O pano de fundo foi o carro no qual é a percepção de interação e relação dos aspectos existentes.

"As marcas trabalham muito sua imagem, pois são as pessoas que rotulam as marcas e criam associações".  Indagando a platéia: "Qual a primeira marca de carro que vem a sua mente quando pergunto" - provavelmente a maioria aqui no Brasil vai dizer VW.

Tornou-se o primeiro designer automobilístico do mundo, com a missão difícil de criar seu próprio negócio, já que ninguém queria contratar porque achavam que seu salário seria caro demais. "Criei meu emprego dando consultoria sem ter que ficar desenhando ou coisa assim" - exemplificando que sua tarefa é criar estratégia de design e não simplesmente a parte operacional.


Montei a Feel The Future como uma empresa de estratégia. Alguns lhe afirmavam que ele estava maluco querendo vender estratégia para empresas. Para ele o experimento teria o tempo de 03 anos, se em três anos iria largar tudo, "É como a teoria do caos. Desempregado, com filho, com título em PhD, precisava  fazer qualquer coisa. Eu não queria  fazer design para as empresas mas para o usuário final !" - enfatiza.

Ele saiu com uma metodologia de mercado. "No inicio é difícil explicar e colocar na prática  inserir no mercado é mais ainda".



Fizeram reposicionamento de marcas como Electrolux, HB20 da Kia, entre outras criando uma conexão global muito forte entre as empresas com pensamentos similares, criando um network REACH - The Global Design Research Network.

Em 2011 a Designit lhe procurou porque estavam interessados em abrir um escritório no Brasil e queriam fazer negociação para vendera Fell the Future, passando por meses de negociação.  "Fomos a primeira empresa de design em fazer uma fusão no Brasil". Coisa que acontece somente com agências de design e grandes corporações.

"Todas as mega corporações  fazem isso, o design não consegue nem se organizar entre os estudantes em sua própria cidade" - criticando o posicionamento dos profissionais de design. Sua missão é  atrair e trabalhar com clientes globais para o país, e que a fusão tornou o maior grupo de design e estratégia do mundo, concorrendo diretamente com a IDEO.

Para ele Curitiba tem muita mão de obra qualificada a oferecer com qualidade além de arquitetura e cultura com todas as possibilidade para qualquer designer se desenvolver. 
A Fell the Future e a Designit tem muita similaridade ajudando as empresas a inovar.

Hoje somos mais de 300 pessoas ao redor do mundo, 17 designers só no Brasil em 11 estúdios espalhados pelo mundo. " Gerar valor através do design, essa é a  pretensão que temos de ser o melhor, ter prêmios é bom, mas precisa se efetivo, ter os prêmios sem estar no mercado não servem" - enfatiza.



" Quando estava no fundo do poço eu tinha apenas um laptop e um projetor, o plano B era fazer um cine pornô (risos)" - ironizando sua antiga situação.

Kleber também enfatiza que trabalha com várias vertentes do design: strategy, brand, digital, service, com os mais variados clientes como HSBC, Telefônica, Positivo, Nokia, Renault, Intel, Electrolux, GVT, Johnnie Walker, GRPcom, Zaggi, Bradesco, Microsoft, Bang & Olufsen, entre outros. Afirma que as únicas coisas que não atuariam é com a industria de defesa e tabaco.

" O que a gente acredita é na metodologia. Todo e qualquer projeto passa para as três fases".

01. Insight | Discovery   02. Ideation | Connect    03. Implementation | Construct

A metodologia é uma ferramenta pode ser compartilhada com qualquer um, todo mundo pode aprender a metodologia, o que a torna importante é se o cara sabe usar o martelo e o prego.

Demonstrando algumas empresas como Tecverde diz que vai revolucionar o sistema de construção civil  pois ainda fazemos casas com tijolos como se fosse há 300 anos atrás. O principal desafio deste cliente era como iria chegar ao cliente final de forma satisfatória. A casa assumindo vários significados como segurança, família, também representa a propriedade, o conforto, pois para os brasileiros o lar tem a percepção de refúgio - explica Puchaski.

Já para a Telefônica desenvolveu um projeto social de serviço de SMS para meninas grávidas de comunidades carentes, com informações que auxiliem o pré-natal e questões relacionadas a maternidade. Considerado um projeto difícil, pois as adolescentes acreditavam que ninguém iria se interessar para ouvir suas histórias.

Para a empresa GVT desenvolveu uma nova estratégia de comunicação com o cliente através do site.  Para Puchaski com o fazer alguém se submeter a jornada de compra pela internet e consiga fechar a compra passando por todo o processo sem que desista é um desafio de interação e confiança que deve ser estabelecida já na primeira relação de compra.

Por fim a Audi que foi a primeira concessionaria do mundo sem ter carro em seu showroom. Fazendo apenas a experiência e modelo de compra tão confortável para o cliente que hoje conseguiram aumentar suas vendas em 25%.

"Esses cases foram demonstrar como a sociedade muda a foram que desenhamos." - explica Kleber Puchaski que define que a partir do ponto que entendemos as pessoas começam a gerar os insights, isso os difere dos demais escritórios.

Finaliza dizendo que muito do que ele compreende sobre o design é que a tecnologia é apenas uma commoditie a entender as pessoas é uma tarefa diária e gratificante, porque a metodologia permite que não seja rígida, explorando constantemente as experiências com as pessoas, equipamentos e serviços. 





Espaço aberto a perguntas:


Pergunta: O mercado de brand está disposto a pagar pelo seus serviços? Ou tudo vai depender de como vai conseguir convencê-las? Estou querendo desenvolver uma marca de skate.

Puchaski responde dizendo que a pergunta elaborada era muito complexa, pois o skate é um dos nichos que mais brincam com a marca. Existem muita gente explorando isso e tudo vai depender de como você quer cobrar por isso! - explica. " No processo de inovação talvez precise de tecnologia, o mais importante é como você vai vender a inovação. Esse é o diferencial. Você tem que ver o que você quer". Para ele existem marcas boas pequenas que são mais representativas que as grandes, tudo vai depender do público desejado.

Pergunta: Como você superou a barreira da interação do design  quando você se juntou à Designit? Houve algum problema entre as equipes?

"Recebo portfólios do mundo inteiro". "Inclusive do Afeganistão. Vocês sabiam que existem bons designers no Afeganistão?"  Para ele montar equipes é uma arte; diferentemente das agências que só querem pessoas criativas ele busca criar equipes concisas que tenha empatia, pois não adianta colocar dois cara bons se eles não se bicam - responde Puchaski.

"Eu contrato não pelo portfólio, mas pela habilidade de trabalhar em conjunto." Fazer uma equipe funcionar é muito desafiador em algumas situações são melhores que outras. Aqui em Curitiba encontro bons profissionais e por isso não há problemas, pois temos os pensamentos similares ( referindo-se a fusão da Feel The Future com a Designt).





















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