DESIGN ALÉM DA CRIAÇÃO COM ANABRUM - CHARNEIRA 2013 INSIGHT


Nesta quarta-feira (09/10/2013) estivemos na palestra de Ana Brum do Centro Brasil de Design.


Ana Brum contou brevemente sua trajetória que também a 20 anos atrás também se formou pela PUCPR e atualmente trabalha no Centro Brasil de Design, atuando como mediadores de empresas e studios de design e falam de design para quem não é designer. Atuando também em trabalhos nacionais e internacionais e representando o escritório do iF (maior concurso do mundo na área de design).

O design além da criação é uma forma de falar do design por pessoas sedentas de criatividade como os designers, por para ela nem todo mundo é criativo.


Contou uma estória baseada no Nutella. "Quando vejo um pote de Nutella o que me vem a cabeça?" Vontade, desejo, carência - indagou a platéia. "Ele representa tudo de bom. Quando eu fui para Milão  tive vontade de trazer um pote de 1Kg, veja que doideira, eu posso comprar aqui Nutella, mas aquele pote representava um status" -ironizou.



"Tem gente que olha para um pote de Nutella e só vê a parte técnica do produto. Mas tem gente que vai além. A gente quer diversão (risos) - mostrando a foto do Nutella Snack & Drink ).



"Não é só pensar no produto mas no todo. Já vem com biscoitos para ir curtindo sua Nutella e também vem com a bebida porque sabe que vai sentir sede Dá prazer, satisfaz a necessidade, e passa um sentimento de felicidade, mesmo que engorde. Ele só trás sentimentos bons" - completa.

"Quem aqui já abriu um Nutella e nunca passou o dedo para comer? Teve um cara que inventou um biscoito em forma de dedo para poder passar no pote, isso que é experiência única, o cara identificou uma necessidade e criou algo que a forma interagia com o produto, então eu percebo essa diferenças".



Tudo isso além dos aspectos práticos e estéticos, quantas histórias pode ter num pote de Nutella? Simples, longas complicadas, o importante é que elas fazem parte das histórias e o projeto de desenvolve com histórias que convencem - explica Ana Brum.

Assim como os trabalhos que considero muito interessantes como de Konstantin Gricic: 


Para Ana Brum o design não tem uma definição concisa e por isso precisamos definir o design como o homem na concepção do produto. Existem vários prêmios nacionais e internacionais de design são mais de 50. Para ela são esses prêmios que certificam o que está sendo desenvolvido é bom ou não.

Ainda fala do iF Design Award que é um dos prêmios de design mais antigos do mundo, onde a qualidade e excelência dos projetos são valorizados, tornando-se as vezes ícones atemporais, gerando valor além do aspecto funcional, para ela isso não é apenas a embalagem.

Também recentemente está pesquisando como surgem o nome dos produtos, pois é muito difícil de criar nomes, e está desenvolvendo uma teoria de com o nome é escolhido a partir de quais critérios. O design brasileiro está tão evidencia e até o designer da Alessi John Vanoni (SIC) comprou uma fruteira centopeia do studio Desafiacoco.



Para Brum o principal é que ainda não há nenhuma habilitação de design de serviços no Brasil, até o presente momento. Pensar o serviço é uma atividade do designer, mesmo que o problema nem o próprio cliente conheça ou tenha identificado ainda.

Cita também a Ciao Mao que não produz produtos por demanda mas sim por valor agregado ao produto, proporcionando uma nova experiência. A mesma coisa acontece com a Oppa |
Design que cresce a 800% desde que foi aberta.

O design é uma atividade em um processo consciente de decisão através de uma ideia que seja plenamente viável - disse Anna Brum. Classificando as empresas em quatro níveis:

01.Empresas sem design são empresas que copiam as outras 
02.Empresas que utilizam o design como estilo estão reféns apenas da forma
03.Empresas que utilizam o design como processo estão mudando a arquitetura e a forma das coisas melhorando sua função
04.Empresas que utilizam o design como estratégia fazem toda a experiência consciente e de forma planejada dentro de todo o contexto mercadológico, funcional, usual e logístico.

Para Ana Brum não sabemos ainda fazer a gestão do design, não por culpa nossa, mas devemos nos inteirar mais no lado do business com o design. Devemos tratar o design como negócio, entrando pela porta da frente e caminhar para criar uma nova forma de comunicação com o mercado. 

Estamos com a metodologia e processo para desenvolver um produto, serviço para gerar lucro para alguém, Devemos mostrar que nós temos uma metodologia para chegar ao objetivo, pois o que foi investido não volta (referindo-se a fracassos de produtos).

A população brasileira nunca esteve tão velha, tendo um novo perfil de consumidor, tendo a maioria com mais de 30 anos de idade e com maior poder aquisitivo e maior informação está consumindo mais e consciente. Cabe você utilizar o kow-how que tem para atingir as oportunidades que estão surgindo  e impor e confiar naquilo que conhece e trabalha.

Para Ana Brum o design thinking é um pressuposto e que ele não há nada de novo, pois o que o designer faz é projetar observando as pessoas, querendo solucionar um problema com mais coisas envolvidas. "A gente pode ter até a ideia de que tudo já foi inventado, mas sempre tem algo novo para resolver, seu trabalho é técnico e sempre haverá alguma forma ou alguma tecnologia para construir algo novo".

A prototipagem também é algo importante pois define para o empresário algumas dúvidas que ele tem do projeto. Quanto mais rápido fizer menos riscos e dúvidas irão surgir. Ajuda a controlar os riscos pois tudo tem que ser o mais rápido e barato. Se for para errar erre o quanto antes para acertar logo, isso é Design Thinking.




O design e Histórias de Sucesso


O empresário da Montana Agriculture queria baratear o custo de produção de uma pulverizadora para concorrer diretamente com o preço vindo dos produtos da China. Ele já tinha ido atrás de engenheiros, financeiros, reduziu material, e não conseguia chegar ao valor produzido lá fora. Baratear o custo nem sempre é a melhor solução. Então o empresário contratou um studio de design para resolver o seu problema. Os designers fizeram uma pesquisa de campo e enxergaram muitas oportunidades que o empresário não enxergava. Perceberam que como o operador passa horas dentro da cabine, o conforto e a distração do operador eram mais importantes que além da função da máquina. Assim, colocaram uma série de itens que deixou o produto mais caro, como ar-condicionado, som, e GPS além de compartimentos para objetos. Hoje o produto não compete mais por preço. A fabricação anual da Montana Agriculture passou de 3 peças/ano para 600 peças/ano. Depois disso com sorriso largo de vendas o dono da Montana disse que nunca mais iria desenvolver produtos sem uma equipe de design.


No Brasil 98% das empresas são micro e pequenas empresas, desenvolver empresas não precisa ser somente com aquelas conhecidas e já renomadas no mercado, afirma Brum. Assim, fazer projetos para clientes pequenos não desmerece o seu valor, pelo contrário ajuda a enaltecer a profissão com neste caso exemplificado.

Para Ana Brum: "O design não tem fronteiras! E sua atuação também!". para qualquer contato visitem o site: http://www.designbrasil.org.br/





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