FETICHE DESIGN COM PAULO BIACCHI & HOLARIA CERÂMICAS DE LUXO COM LUIZ PELLANDA - CHARNEIRA 2012



Hoje na Charneira tivemos as palestras das empresas paranaense Fetiche Design e Holaria.

FETICHE DESIGN

A valorização do imperfeito

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A NOVA ESTÉTICA 

Os designers Paulo Biacchi e Carolina  Arnellim começaram em 2008 a criar uma marca de produtos voltados para a casa que tivessem uma estética de design. Aos poucos foram crescendo e acabaram desenhando para outras marcas, como a Tok &Stok.  A marca Fetiche Design acaba imprimindo em seus produtos o conceito da empresa em outras marcas. É uma coisa singular no mercado.


Paulo Biacchi ministrou a palestra nesta noite onde disse que trabalhou por 8 anos em uma empresa que tinha que vender as próprias ideias da empresa, coisa que não ocorre no mercado tradicional, já que o designer faz apenas uma parte do processo. Com essa experiência disse que sua empresa não apenas desenha peças porque também fazem essas peças essa é a diferença. O mercado industrial coloca a Fetiche para  imprimir nossas ideias e conceitos sem perdemos nossa essência.

A ideia da marca foi construir uma estética. O trabalho ainda é muito pontuado, pois são todos produtos seriados e não peças únicas como muitos acreditam que sejam, mas tem características que remetem ao artesanal.  A estética do imperfeito hoje é mais valorizada no mercado, principalmente internacional. Fizemos uma coleção para a empresa Holaria  onde imprimimos o elemento  de diferenciação com texturas não convencionais para  uma cerâmica que casou bem nas peças. Assim nossa estética desenvolve soluções que são mais comerciais. 


Apresentando case da marca Fetiche Design,  o banco R-540 uma criação no qual afirma que surgiu de forma empírica, e foi inspirada na ponte estaiada de São Paulo.  Essa nova estética  surgiu da experimentação e vimos o quão estranho era o objeto possa aparecer. Aprenderam que o estranho pode ser interessante. "As vezes possa  parecer uma merda, mas pode ser como um conceito muito interessante" ironizou.  Demos uma cara contemporânea e inusitada e fizemos até um vídeo caseiro para divulgar a peça para um potencial cliente em São Paulo. O vídeo acabou indo para até em um blog gringo que publicou o banco R-540 e lançou ele para o mundo de forma despretensiosa. A Renault comprou uma peça que  esteve até no evento do Salão de Genebra 2012. Descobrimos mais tarde o motivo que o nosso banco estava lá, o interior do concept car da Renault tinha-se baseado  na trama do banco R-540.  Este banco hoje esta em exposição na Holanda, em Miami, na Bélgica e já esteve presente em outros eventos e exposições do design. Hoje representa  muito o que é e a Fetiche e a repercussão que ela teve para nossa empresa.

"A nova estética  vem as vezes de lugares obscuros, a as nova estéticas  estão numa vibe  de um lado mais obscuro' - comenta Paulo Biancchi. Esta estética mais dark, dramática, sem ser suja começou a enveredar as novas linhas estéticas da Fetiche Design antes mesmos dessa nova tendência surgir. A linha Pai João  é uma delas, também temos como objetivo da empresa manter uma linha mais conceitual e  outra mais comercial. A proposta do tema da Charneira 2012 está retratando este tema - O Fim do Mundo -  que ao meu ver representa esse drama na estética. 

 

A CRITICA

Fizemos  uma crítica a industria moveleira que é meramente comercial onde desprendemos  a estética fazendo um experimentalismo e causando mesmo um choque, um espanto, o desconforto, objetivo era mesmo criticar a indústria moveleira que não tão forte no Brasil., uma vez que encontrar parceiros comerciais é muito difícil. Tivemos a sorte de encontrarmos a Micasa que é uma empresa que investe em design brasileiro inserindo o produtos nacionais no mercado como um representante de vendas e eles apostaram  em nosso trabalho. A ideia de pegar moveis antigos e fazer remendo grotescos, criticando a industria que é melhor mesmo consertar os moveis ao invés do comprar novos teve com o título " Conserta-se moveis tratar aqui". A cadeira desta linha conceitual foi vendida por R$ 7.000.00 reais em uma mostra, nossa intenção não era vender as peças, o conceito mesmo era despertar que podemos fazer diferente e criar uma nova estética no mercado brasileiro se ficar preso a este modelo habitual que nossa industria produz. e como nós temos uma relação boa com a mídia  e a repercussão de retratarmos  a valorização do imperfeito com essas críticas a indústria   foi o que queríamos, e isso que foi proposto.

O PROCESSO

O designer é como um alquimista, hoje em dia é muito comum designers demonstrarem o seu processo. Como chegam ao resultado, quais engenhocas criam para fazer sua pequena série de produtos. O importante é criar uma nova estética através de as vezes nunca sairia do papel. O vídeo é super importante para demonstrar o momento, além do conceito todo processo envolvido demonstrando a sua construção. Existe hoje o descompromisso estético sem quer criar peças primorosas para a industria. Na verdade, a conversa é muito sobre a  sustentabilidade em aproveitar novos tipos de materiais e criar novos processos e a valorização do imperfeito da irregularidade. 

O importante não é a peça e seu acabamento mas a história imprimida sobre o produto. Essa emoção que vale, ela que conta. Isto é mais importante. Isso que o mercado vem buscando atualmente, principalmente o de luxo, a busca pelo exclusivo que geram novas  interferências mesmo sendo ditos feios ou irregulares.

O designer  deve ser auto suficiente para criar suas peças mesmo sendo em pequena escala. A primeira vista você pode achar que é estranho o que produziu, mas de alguma forma pode utilizar a seu favor. As empresas exploram essa estética  em seus shows rooms, em contexto com estética totalmente industriais. com produtos feitos dessa forma de interferência como uma estética imperfeita. Hoje é pontuado.

Isso  é uma coisa que tem o impacto para o designer  que é voltado para uma estética  totalmente industrial. A inovação é o descompromisso com a ideia estética apregoada pela industria, centralizada no minimalismo, em que as casas são totalmente clean, hoje a irregularidade vem quebrar essa monotonia com produtos mais customizáveis. 

Hoje na Fetiche Design está focada na marca e estamos em focados na pesquisa de comportamento de peças industriais. Hoje vemos peças no nosso cotidiano, e gente nem pensa no porquê da perfeição pois existe alguma tendência para ela. Os produtos seriados vem buscando agregar um pouco dessa coisa do imperfeito. Essa tentativa do imperfeito no seriado vem acontecendo crescentemente. A industria moveleira  vem recorrendo a esses elementos gráficos da imperfeição que surgem primeiro no mercado de topo para depois chegar as massas. Há pessoas que ainda não assimilaram a essa estética, existe uma valorização cultural maior  para ponderar e entender melhor esse conceito.

QUESTIONAMENTOS:

Hoje você já tem um nome uma marca consolidada. Como você faz pra produzir? Você tem uma ideia na cabeça e manda alguém produzir para você, tem alguma parceria ou fornecedor? Como é conseguir vender e produzir.

Quando você não tem nome você não tem ninguém, não tem fornecedor não tem parcerias. Nós eramos tímidos. Tinhamos que injetar dinheiro para fazer tudo, já que nossa proposta era fazer um design autoral. Ninguém se propõem ou arrisca a comprar seu potencial, portanto, pagamos por tudo, essa é a parte mais difícil, pois até hoje não temos uma produção própria, mas alguns fornecedores e pagamos tudo para fazermos para a gente. Esse é um mercado ainda muito pequeno e tenho que pagar ainda para por as ideias no mercado.


http://www.fetichedesign.com.br/
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HOLARIA 

A empresa Holaria  é uma empresas de peças cêramicas criada por Luiz Pellanda.
Agradecendo o convite por participar da Charneira 2012, Luiz disse que conta com o imponderável. Olhou o tema fim do mundo e inicialmente não compreendeu significativamente o tema proposto, mas ao ver que a ideia é o rompimento de paradigmas viu que seconfundem com a história da própria empresa.

Holaria

A Holaria é uma empresa focada  na gestão do design em produtos cerâmicos. Conta que tudo começou na UFPR uma orientação de pesquisa cientifica no qual foi orientada pela professora Virgínia Souza de Carvalho Borges Kistmann presente no local prestigiando o evento. A sua pesquisa teve como foco escolhido a região de Campo Largo que já foi considerada a cidade de louça no Brasil. Conta que na época não havia muitas oportunidades e acharam que trabalhar com as olarias proporcionaria algum tipo de emprego ou teria um mercado promissor - ledo engano - conta Pellanda. 

Pesquisamos como eram feitas as peças de louças na região e sua gestão e elas eram muito precárias e algumas continuam sendo. O seu catálogo de novos produtos era simplesmente conseguir catálogos de peças feitas de fora e simplesmente copiá-las ainda mais que estavam presas somente pelo modelista que é o responsável por criar a peça matriz que são replicadas no molde, que dará origem ao molde de gesso. Essa não é uma atividade que agrade muito aos jovens pois se desinteressam por essa atividade devido sua precariedade especialmente porque são também empresas muito familiares. As conclusões que  havia é que não haveria emprego neste setor, também percebemos a falta de ações simples e falta de um design próprio.

Quando pensamos em iniciar a empresa o profissional modelista poderia ser substituído por softwares assistidos, isto é modelagem digital. No inicio esses softwares ainda eram escasso e também estava prestes a estourar a bolha da internet meados de 2000. O projeto ficou em stand-by por aproximadamente um ano  sem perspectivas de emprego à vista sem experiência profissional, abrimos a empresa com o nome de Proto Design o nosso sonho era fazer  projetos de alto nível, pensamos onde aproveitar a pesquisa e procuramos a incubadora  da UFPR. Então juntando o processo de metodologia de design o serviço de prototipagem era essa concepção que tínhamos do negócio.



A TENTATIVA

A gente estava não só propondo resolver  um problema técnico de falta de mão-de-obra especializada, mas também que as máquinas de prototipagem, isso criava um conflito pois  quanto mais automatizado mais o processo artesanal perderia seu espaço. Fizemos um mega evento para potenciais clientes de empresas de cerâmica e um a um foi saindo ao pouco e ninguém comprou nada de nossa ideia. Literalmente perdemos muito dinheiro. A empresa já com o nome de ProtoCeramicas foi por água abaixo. 

Mas não desistimos e resolvemos aproveitar toda a pesquisa  novamente e esse conhecimento já adiquirido para fazer a nossa própria produção como marca.


SURGIMENTO

Assim surge a Holaria. O nome foi escolhido pois remete ao lugar onde são fabricados as peças, e a letra H foi acrescentada por uma alusão mitológica de Hórus - uma visão mais ampla. Nossa primeira produção  foi tentar fazer a matriz por peças de usinagem em CNC, mas sem dinheiro para investir tivemos que fazer um molde que pudesse ser replicado. Fizemos uma forma que pudesse ser dividida em várias partes iguais. Entramos em contato com um fornecedor para ele produzir apenas uma amostra da qualidade do seu trabalho, assim conseguimos a matriz que precisavamos para poder conseguir replicar e conseguir produzir as primeiras peças comercializáveis. No inicio também  pegavamos as peças e tentávamos vender em São Paulo até que conhecemos  a Marco500 que é uma empresa que insere produtos de design no mercado. No início não tínhamos foco do nosso produto e nem o valor que ele valia.

Os próximos passos foi participar de feiras e começamos a pesquisar e a divulgar a marca por vários meios de comunicação. Hoje em termos comerciais absolutos a loja online é bem interessante e representativa . Nosso trabalho  foi divulgado em vários veículos de comunicação gerando mídia espontânea e indo parar até em novelas globais. 

"A questão do design dentro da empresa e suas inspirações vem dos mais diferentes lugares. Tudo que tem uma forma interessante pode ser transfigurado para as peças. " - Luiz Pellanda.

A gente fez a partir dessa possibilidade uma proposta comercial que foi vender parte da empresa para a Germer, num relacionamento que nos consolidou no mercado. Essa parceria proporciona a possibilidade em produzir em grande escala. A partir dai que iniciamos a possibilidade de criar uma linha completa. Nossa nova proposta é tornar a Linha Pingado, um ícone do design brasileiro. Estamos investindo pesado nesta ideia.



"Espero que eu possa inspirar a vocês nesta vida de pós-formados" - Luiz Pellanda.


QUESTIONAMENTOS:

Essa parceria de a Germer ter comprado parte da empresa. Isso interfere no seu trabalho? Quero dizer como essa parceria te ajudou e se há alguma restrição por parte da empresa.

Nós fazemos a maior parte do trabalho dentro da Holaria. É uma empresa a nível familiar e as vezes fazemos de tudo desde a produção, atendimento ao público, até o marketing. A gente tem que apresentar resultados, isto é gear dinheiro, mas isso a gente já já tem um diferencial mas a Germer não interfere em nada só faz o processo de produção em massa o desenvolvimento é todo nosso.

http://www.holaria.com.br/



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