MESA REDONDA: DESIGN E O HOMEM COM MARCOS BECCARI & ILUSTRAÇÃO EDITORIAL COM JOSÉ AGUIAR - CHARNEIRA 2011



DESIGN E O HOMEM

Nesta quinta-feia (06/10/2011) tivemos a participação de Marcos Beccari como mediado dessa mesa redonda, com a participação da psicóloga Ana Beatriz Guimarães pela PUCPR, Cauê Kruger formando em antropologia pela PUCPR e o professor formado em filosofia pela PUCPR, Haroldo de Paula. Seguem as sinopses descritas durante o evento.


Na relação entre o homem e o mundo  através do design, onde o artefato se liberta de sua condição funcional para criar significados, como o homem traduz  através do design? No Brasil, o design é um modelo importado europeu, segundo Alexandre Wollner e considera o design nacional sem significados e critérios, diante desses dilemas como podemos encarar o fator cultural em nossa sociedade? Qual é a visão da filosofia, da psicologia de antropologia.





Caue Kruger:

A antropologia é a ciência do homem,,  etnologicamente isso não nos trás significado algum, mas podemos pensar  no homem  desde sua origem quando tomou consciência de si mesmo. Existe um paradigma  entre a biologia e a diversidade cultural com suas práticas e costumes confrontando-se, o grande problema  é pensar como definimos essa relação  com o homem (humano). No isso nos faz entrar no contexto relativista, onde o objeto pode ser interpretado em contextos diferentes, pois a noção estética não é universal para a antropologia, Franz Boas formaliza na antropologia que existem perspectivas e momentos históricos que constroem a visão moderna baseados em Michael Baxandall, na sociedade atual existe a tentativa de mostrar que a perspectiva  é construída pela sociedade e não pelo indivíduo. Um exemplo clássico antropológico e o fato de que os grafismo utilizados tem conotações diferentes, para os índios são questões culturais, estão ligados a símbolos transcendentais como forma de proteger o sobrenatural sobre o desconhecido. Esse mesmo contexto de utilização do grafismo em nossa sociedade assume outra visão, por exemplo  a tatuagem não tem a mesma relação de nossos ancestrais.

Trata-se do objeto como pessoa, mas o artefato é a pessoa (ser humano) desde os primórdios da civilização  ou animismo (que tem ânimo, que tem vida) fazendo interações humanas criando a noção do objeto como mercadora . A noção de objeto como mercadoria , só existe porque temos  a noção de utilidade  pela sua função de utilidade. Porquê comemos carne de vaca e não de cavalo, se elas são iguais? Essa é a função  de dar utilidade  ao contexto inserido sobre o outro contexto  criando um novo significado. No relativismo nenhuma perspectiva é única e a relação dos objetos mesmo ele não tendo seus significados universais.



Haroldo de Paula:

O relativismo ou dogmatismo não importa, onde tiver o absolutismo em qualquer campo da filosofia sempre haverá confronto. O caso mais clássico da filosofia é a Morte de Sócrates dentro da lógica imediata ninguém a poderia questionar, ao final Socrátes bebe o veneno da morte para recusar a verdade de sua condenação.
Como diria Nietzche: "A filosofia é sempre a faca na carne do seu tempo".  Existem uma interpretação vulgar e talvez errônea da da ruptura na ciência que convencionou-se chamar de Relativismo, devido as teorias de Einstein. O relativismo acomoda  as pessoas temos que olhar o design com resalvas, o relativismo nos acomodou  nas desventuras que o homem vive atualmente conivente com as barbáries, e a virtualização de nossas vidas pelo avanço tecnologico e pelos meios digitais. No estado atual que nos encontramos hoje que achamos que temos controle  sobre  nossas vidas privadas, o imediatismo e tecnologia e vida digital é um modelo que parece escravizar o homem moderno.
  

Ana Beatriz Guimarães:

 Temos que ver  as coisas no olhar do design. A psicologia entra como parte do processo de metodologia do design, no campo do comportamento e dos fatores humanos.  O comportamento do consumidor é estudado em ambas as áreas no intuito de entender a relação do homem com o objeto, na sua relação de compra, utilização, e destinação dos produtos (objeto). Sem o ser humano não existiria objetos, existe ainda o objeto de trabalho oculto o "eu" para atingir suas emoções e experiências. Essas experiências são construídas no contexto social que vivemos, que vai nos definindo quem eu sou neste mundo. Além dos aspectos sociais existem as influências desse meio que construirão nosso eu positivamente ou negativamente através da verdade que cada um enxerga. Geralmente  essa construção se da ná infância são as verdades e perspectivas percebidas por cada indivíduo. O trabalho da psicologia é mudar a lente do indivíduo dessa perspectiva com o conceito de identificarmos  as personalidades para criar um perfil de consumidores que são encaminhadas as pesquisas para o marketing e o design.

Em nossa sociedade vivemos de padrões esteriotipados, todos tem uma parte de nós ocultada e tentamos  parecer aquilo que realmente não somos. Esse nosso processso é perceptivo e por isso não enxergamos o todo, recebemos primeiramente os estímulos visuais (primeridade na semiótica),  e depois tentamos  interpretá-los (secundidade na semiótica) e depois  sempre tentamos focar nas nossas necessidades atuais (terceridade, na semiótica).


O 'eu' é objeto, ele se confunde como objeto justamente porquê  tem a identidade a respeito dos seus próprios atributos, isto é enquanto assumo  como consumidor  os objetos  que eu  comprei, como me relaciono com eles, são parte da identidade do eu (pessoa) com o objeto. Esses atributos de escolha no geral mudam de acordo com vários papéis que assumimos durante nossa vida diária. Cada postura construímos um  determinado produto, e quanto mais positivamente me vejo mais confiante eu sou,  tendo a acreditar mais no meu potencial. Todo ser humano tem o seu eu ideal, nós gerenciamos de acordo com nossas escolhas, nosso convívio social e principalmente como queremos que os outros nos vejam. Exclamamos por produtos através  do nosso estilo de vida e dos papéis que desempenhamos  na sociedade.


Finalizando a discussão o mediador comenta e pede aos participante suas considerações finais:


Marcos Beccari: Eu peço: Sejam vocês mesmos, revindiquem seus direitos, o grande paradoxo é ser diferente é querer ser aceito, Clément Rosset diz que  a única verdade que existe é a dúvida. Nesse sentido considero o dogma mais importante para o design.


Haroldo de Paula: "Vocês são tudo maloqueiro!"  Vocês são desorganizados e paradoxalmente fazem a melhor Semana Acadêmica da PUCPR. Façam isso também com o Centro Acadêmico de vocês. Mantenham o vivo, não deixem-o sozinho, ajudem a fortalecer o Centro Acadêmico de Design.  Para mim o que faz o produto e o influencia é o ser humano. A questão é como um produto perpetua na influência do homem? Temos que definitivamente acabar com o fetiche da mercadoria, revendo este  modelo atual de consumo, onde está destruindo nosso próprio espaço o nosso próprio mundo. Tempos que fazer  a discussão política  de como criaremos esse novo modelo.


Caue Kruger: Votando ao assunto do relativismo antes. O relativismo não chega mesmo a lugar nenhum, mas o dogma também é cego. Agir e ser compreendido e aceito como ser humano, é o que considero mais importante.


Ana Beatriz Guimarães:  Essa preocupação com o ser humano é o que o design e a psicologia tentam propor, para mim é muito gratificante essa preocupação que o design tem com o homem e o produto. Mesmo que o ser humano seja considerado produto, isto é tentando se personificar  através dos objetos que ele deseja e quer adquirir, nesse sentido joga suas ambições ao produto devemos ver que quanto maior a sua auto estima menos ele se projeto nos produtos, e  se  o 'eu' tiver bem resolvido  internamente, então deixo de ser produto para virar o eu pessoa, o eu cliente.


Deixo a bibliografia para quem quiser se aprofundar no assunto:


Solomom M.R O comportamento do consumidor. 9ed. Porto Algre, 2011.
Giglio E.M. O comportamento do consumidor 2ed. São Paulo. Thomson, 2003.


Marcos Beccari deixa também alguns livros de referência:


O Sistema dos Objetos de Jean Baudrillard
Da Sedução de Jean Baudrillard




ILUSTRAÇÃO EDITORIAL





E arte-educador formado em Artes Plásticas na Faculdade de Artes do Paraná (FAP), ilustrador, roteirista e editor. Foi premiado com o Troféu HQMIX, Angelo Agostini e no I Concurso Internacional de Quadrinhos, SENAC/SP. Publicou as HQs Folheteen (Devir), Quadrinhofilia (HQM), Revolta de Canudos (Escala Educacional), Ato 5 (Quarto Mundo). Em 2011 publicou Vigor Mortis Comics numa parceria entre Quadrinhofilia e Zarabatana Books. Na França, ilustrou para Éditions Paquet duas HQs da série Ernie Adams e participou de Un Jour de Mai (coletânea).


"Essas coisas fazem parte do mesmo universo , vou falar um pouco dos gostos pessoais e a realidade de mercado." Para ele  a ilustração não tem  um mercado definido e muitas  vezes acaba fazendo o que aparece como por exemplo ilustração para embrulho de presente.  Particularmente ele nunca teve afinidade com a arte da caricatura mas mascotes para empresas diz que é um campo promissor. Já os trabalhos autorais ocorrem mais em revistas, livros e jornais -completa. Outro ponto que além de não ter afinidade com caricaturas e por falta de habilidades nata, ele não é fanático por desenhos hiper-realista: "Prefiro o desenho sujo, tracejado mesmo.Posso fazer tranquilamente, mas sempre não dá." Para ele o principal é fazer a ilustração sem o comprometimento profissional, não deixar de aprender a fazer ilustração pelo contato manual.



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